Dois operários morrem em silo de soja
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de agosto de 2001
Edna Mendes<BR>De Londrina 
Dois operários que trabalhavam em uma unidade de armazenamento de grãos da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol), em Cambé (13 km de Londrina), morreram asfixiados ontem pela manhã, após caírem em um silo com mais de 300 toneladas de soja. O primeiro corpo só foi resgatado quatro horas após o acidente. A polícia suspeita que os operários não usavam equipamentos de segurança.
Aparecido Rodrigues dos Santos, 40 anos, e Edivaldo Francisco Pereira, 35 anos, empurravam os grãos de soja para o duto central de um dos três silos da unidade de armazenamento, quando aconteceu o acidente. O Corpo de Bombeiros e funcionários da cooperativa tiveram muita dificuldade para resgatar os corpos por causa da profundidade do silo e da grande quantidade de soja armazenada.
Segundo a Polícia Civil, um terceiro operário que estava no local, Damião Fernandes, informou que o primeiro a cair no silo foi Aparecido dos Santos. Quando ele estava sendo sugado, Edivaldo teria se jogado para tentar salvá-lo. O corpo de Edivaldo foi o mais difícil de ser resgatado. Cerca de 10 homens do Corpo de Bombeiros e funcionários da cooperativa só conseguiram encontrá-lo por volta das 18 horas de ontem, depois que a maior parte da soja foi drenada e transferida para outro silo. Segundo informações de funcionários da Corol, cada silo deve ter cerca de 10 metros de profundidade.
O delegado Antonio do Carmo abriu inquérito policial para apurar a responsabilidade pelas mortes. A polícia vai investigar se havia equipamentos de segurança na unidade e se a empresa obrigava os funcionários a seguirem as normas exigidas pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). ''Foram duas mortes violentas que só podem ter acontecido por negligência e falta de equipamentos obrigatórios de segurança'', afirmou o delegado.
O presidente da Corol, Eliseu de Paula, esteve ontem no local e disse que a cooperativa também vai investigar o motivo da falta do uso dos equipamentos de segurança pelos dois operários mortos. ''Não sabemos porque eles não estavam usando os cintos de segurança. Estamos chocados com esse acidente trágico, que é o primeiro em 37 anos da empresa'', disse. Ele explicou que para trabalhar sem risco os dois operários deveriam estar suspensos em cordas com cintos de segurança fixados nelas.
Peritos do Instituto de Criminalística de Londrina que acompanharam o trabalho de resgate dos corpos informaram que o laudo completo deve ser concluído em aproximadamente 15 dias. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal de Londrina e liberados na noite de ontem.
O pintor de paredes, Élcio Francisco Pereira, irmão de Edivaldo, contou que era o segundo dia de trabalho dele na cooperativa. ''Ele foi contratado por três meses para ganhar R$ 280,00'', disse.


