Dois jovens são mortos na Zona Sul de Londrina
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sexta-feira, 31 de março de 2006
Vanessa Navarro e Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Dois rapazes foram assassinados a tiros e outro foi gravemente ferido em um posto de combustíveis localizado na Avenida Inglaterra (Zona Sul de Londrina), nos primeiros minutos de ontem. Segundo a polícia, o alvo principal do autor dos disparos seria David Rodrigues de Melo, 18 anos, que estaria ''jurado de morte'' devido a um crime que cometeu quando era menor. Os moradores da região reclamam da violência e pedem mais policiamento.
O delegado de plantão da 10 Subdivisião Policial (SDP), João Aquino, informou que Melo estava no posto junto com o amigo Edvaldo Bicudo Romano Gabriel, 19 anos, quando uma pessoa chegou a pé, atirando. Ferido no tórax e na cabeça, Melo faleceu no local. Gabriel levou um tiro no pescoço e foi socorrido, mas morreu no hospital pouco depois.
A terceira vítima foi Rubens Fernando Waitman, 18 anos, atingido por um tiro no olho. ''Ele não conhecia as outras duas vítimas. Estava apenas passando pelo local e acabou sendo baleado também'', contou o delegado. A assessoria de imprensa do Hospital Universitário (HU), onde Waitman foi internado, informou no final da manhã de ontem que ele estava consciente e seria submetido a uma cirurgia.
Os funcionários do posto de combustíveis não quiseram comentar o crime. Informaram apenas que o proprietário estuda fechar o estabelecimento mais cedo por causa da violência.
Aquino levantou que Melo já havia sido detido por um homicídio, cometido quando era menor. Ele completara 18 anos há pouco mais de duas semanas. O delegado acredita que a morte de Melo tenha sido um ''acerto de contas'' relativo àquele crime. Parentes do rapaz disseram à polícia que ele havia recebido ameaças de um desafeto recém-saído da prisão. Gabriel e Waitman não tinham passagem pela polícia. Trinta e três homicídios já foram registrados em Londrina neste ano.
Para a Associação de Moradores do Jardim Igapó, a aglomeração de fregueses da Feira da Lua realizada todas as quintas-feiras à noite numa praça do bairro contribui com a crminalidade. ''Tem que melhorar a iluminação e colocar mais policiamento. Por causa dos assaltos, os estabelecimentos comerciais estão fechando cada vez mais cedo'', disse a presidente da entidade, Ivonete Nunes.
A entidade está recolhendo assinaturas para cobrar mudanças: a retirada ou a transferência da feira para o período diurno. O coordenador das feiras da lua, José Ramatis Hilário, afirmou que a solução é melhorar a iluminação do local e aumentar o policiamento. ''É lastimável a posição de quem quer acabar com a feira. O problema só será resolvido com mais policiais atuando na área'', opinou.
Os comerciantes disseram ainda que a viatura do Projeto Policiamento Ostensivo Volante (Povo) não tem feito rondas com a frequência ideal. A consequência foi a instituição de um toque de recolher informal. A maior parte dos estabelecimentos está fechando mais cedo.
Paulo Sérgio Herick, 37 anos, há 12 vende lanches na avenida. Para ele, a feira atrai suspeitos de bairros vizinhos. ''Muitos consomem álcool e drogas nas proximidades. Eu mesmo já estou fechando no máximo até a meia-noite. Antes, trabalhava até às 2 ou 3 horas da manhã'', lamentou.


