Dois jovens foram mortos em confronto com a Polícia Militar (PM) em Londrina, anteontem, por volta das 23 horas. Daniel Trevisan, 18 anos, e Ronaldo Vieira da Silva, 19 anos, teriam trocado tiros com PMs dentro de uma casa popular no Jardim Maracanã (Zona Oeste).
O delegado de plantão da 10 Subdivisão Policial (SDP), William Douglas Soares, contou que uma denúncia anônima levou duas equipes do 5º Batalhão da PM - uma do Serviço Reservado, outra do Choque - a uma residência localizada na Rua Severino Peba Rolim, nº 471. A informação era que haveria um foragido da Justiça escondido no local.
Os PMs teriam se identificado, mas ninguém abriu a porta. ''Eles ouviram um estampido semelhante a um disparo de arma de fogo dentro da casa e decidiram entrar. Cada equipe se deparou com um indivíduo armado em cada quarto e houve troca de tiros'', relatou o delegado. Os dois rapazes foram atingidos. Nenhum policial ficou ferido.
De acordo com o chefe de Relações Públicas do 5º BPM, tenente Ricardo Eguedes, os policiais colocaram os feridos dentro da viatura da PM e seguiram até encontrar o veículo do Siate que estava a caminho. ''A atitude foi tomada para agilizar o atendimento, já que o estado deles era muito grave'', afirmou. Os socorristas encontraram as vítimas já sem vida.
A casa onde ocorreu o confronto não possuía móvel algum, sequer um chuveiro, segundo o delegado. Por fora, a reportagem constatou apenas que os vidros das janelas frontais estavam quebrados e o quintal dava sinais de abandono. Os vizinhos disseram que desconheciam os rapazes que foram mortos.
Há a informação de que Silva seria foragido do 5º Distrito Policial (DP), mas o delegado não conseguiu confirmar o fato ontem. Segundo Eguedes, o jovem é suspeito de participação na morte do soldado da PM Alexandre de Souza, 34 anos, durante tentativa de assalto a uma revendedora de álcool na Zona Norte, em março deste ano. Ele também respondia por outro homicídio.
Eguedes frisou que o objetivo dos policiais que participaram da ação - cerca de seis, segundo ele - era ''prender os suspeitos, não matá-los''. O pai de Silva, que esteve ontem na 10 da SDP, disse apenas ''que não via o filho fazia tempo'' e que ''desde que escolheu o caminho errado, não sabia mais de sua vida''. O 5º BPM irá instaurar um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as mortes.
Foi o segundo dia consecutivo de mortes provocadas por autoridades. Na última quinta-feira, um policial federal matou um rapaz que teria tentado um assalto a ele e a um colega no Centro de Londrina. A cidade chegou a 50 vítimas de homicídios neste primeiro semestre.

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