A Polícia Civil de Londrina apresentou ontem de manhã, na 10ª Subdivisão Policial, os dois homens que assaltaram, na última quinta-feira, o Bar da Mocidade, localizado na área central da cidade. Durante o assalto, a advogada Alexandra Disseró, 28 anos, que comemorava o aniversário no bar com o namorado, acabou atingida nas costas por uma bala perdida e morreu no local. Ricardo Wagner Bernardino, 25 anos, e o cunhado dele, Márcio Geraldo, 29, confessaram a participação no assalto.
Márcio Geraldo, condenado por assalto à mão armada, cumpria pena na Colônia Penal Agrícola de Piraquara, de onde saiu em 29 de dezembro de 98, beneficiado com indulto de Natal e não voltou mais. Ricardo cumpria pena por homicídio e fugiu da Colônia em agosto do ano passado.
Mario CesarPena por homicídioBernardino: ‘Foi legítima defesa. Já matei gente pior que eu’A dupla trocou tiros com o policial militar Moisés Barbosa dos Santos, que estava à paisana e passava pelo local. Os dois afirmaram ontem que o tiroteio só começou porque o policial deu voz de prisão e atirou primeiro, de fora para dentro do bar.
‘‘Nós já estávamos com o dinheiro e iríamos embora. Aí ele (Santos) deu dois tiros para dentro do bar, contra a gente, e depois mais dois tiros do lado de fora’’, garantiu Geraldo. Ele conta que, com uma pistola semi-automática, disparou doze vezes contra o automóvel em que Santos se escondeu, para evitar que o policial continuasse atirando.
Ainda segundo o assaltante, o tiro que matou a advogada Alexandra Disseró tanto pode ter partido da arma do policial quanto da de Ricardo Bernardino, que portava um revólver 38. Este não confirmou nem negou que tenha dado o tiro fatal. ‘‘O que tem que acontecer, já aconteceu. Foi legítima defesa. Já matei gente pior do que eu’’, afirmou Bernardino. Ele disse ainda que se machucou durante a fuga, no dia do assalto. Ontem ele estava com a perna esquerda engessada.
O delegado-operacional da 10ª SDP, Valdir Abrahão da Silva, informou que a polícia já desconfiava dos dois - por causa das características físicas - e desde o final de semana vinha tentando prendê-los. ‘‘O Wanderci (Corral Fernandes, delegado-chefe) havia pedido prioridade ‘número um’ para o caso. Quinze investigadores participaram da investigação’’, acrescentou. Anteontem, por volta das 20h30, Márcio Geraldo foi localizado junto com a esposa (que é irmã do criminoso conhecido como ‘‘Leprinha’’) num bar da rua Tietê, próximo ao antigo Cesec, zona leste da cidade. Ele estava desarmado e não houve resistência.
Mario CesarAs armas usadas pela duplaEm seguida, Márcio Geraldo indicou a casa onde estava Ricardo Bernardino e também as armas utilizadas no crime. O endereço é Rua Flamengo, esquina com Tangará, Vila Yara (também zona leste). A casa foi invadida. ‘‘A ação na residência foi rápida e não houve tempo do Ricardo reagir’’, acrescentou o delegado. Além das duas armas - um revólver calibre 38 e uma pistola americana de 9 milímetros, com capacidade para 15 cartuchos e possibilidade de rajadas -, foi encontrada na casa farta munição. Ainda ontem as armas seriam encaminhadas para exame de balística no Instituto de Criminalística. O laudo deve sair hoje à tarde.
Márcio Geraldo e Ricardo Bernardino confessaram também ter participado, nos últimos meses, de assaltos à uma pizzaria, a um ferro-velho e à uma livraria, todos no centro da cidade. Geraldo ainda admitiu participação, junto com outro comparsa, o Maninho, aos assaltos ao Bar da Esquina, igrejas e Auto-Posto Ferrari, em janeiro. Na ocasião, houve troca de tiros e dezenas de jovens que frequentavam o local - a maioria vestibulandos - acabaram ficando expostos ao tiroteio. ‘‘Eles também devem ter participado de outros assaltos. Vamos levantar’’, disse o delegado. O namorado de Alexandra, Silvio Roberto Romaneli, irá prestar depoimento hoje pela manhã.

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