Dois anos de luto pelo filho
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segunda-feira, 20 de junho de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Um protesto simples e silencioso deve marcar a tarde de hoje para quem passa pela Avenida Maringá, na Zona Oeste de Londrina. A dona de casa Sônia Maria Teixeira e Silva, acompanhada de algumas pessoas próximas, quer lembrar a morte do filho, João Marcos de Almeida e Silva, atropelado há exatamente dois anos, na esquina da avenida com a Rua Paulo Frontin.
No protesto, reivindicações também simples, e que ocupam a mente de qualquer pessoa em busca de respostas para fatos que o tempo não faz questão de apagar da memória: além de cobrar agilidade no inquérito que apura as circunstâncias do acidente, Sônia pretende localizar mais testemunhas que ajudem na investigação.
O entregador de pizza João Marcos tinha 19 anos quando o acidente aconteceu. De acordo com Sônia, o jovem subia pela Avenida Maringá quando um furgão Kia Sportage de cor branca, parado na altura da Rua Paulo Frontin, tentou fazer uma conversão à esquerda, atingindo o motociclista. O impacto teria jogado João Marcos debaixo de um outro carro, provocando traumatismo craniano. Enquanto o jovem era socorrido por populares, o motorista do furgão fugia, sem prestar socorro. João Marcos morreu dentro da ambulância do Siate, a caminho do hospital.
Neste momento começou a busca da dona de casa por justiça. O inquérito, inicialmente sob responsabilidade da delegacia de trânsito da cidade, foi conduzido pela então delegada do setor, Paula Francinete. Hoje, quem responde pelo caso é o delegado de Arapongas, Sérgio Barroso, especialmente designado pelo delegado geral da Polícia Civil do Estado, Jorge Azor Pinto.
Barroso assumiu o caso há menos de duas semanas. O grande intervalo entre o acidente e a designação de um delegado especial deve-se à burocracia enfrentada e à complexidade que o caso alcançou. Informações extra-oficiais dão conta de que o inquérito quase foi arquivado, até que a família de João Marcos conseguisse um advogado - Augusto Jondral Filho - para representá-los.
Jorge Barbosa, que na ocasião era delegado adjunto da 10 Subdivisão Policial de Londrina (10 SDP), foi afastado da função e transferido para o 1º Distrito Policial dois dias depois de ter ajudado, pela primeira vez, nas investigações, em julho do ano passado. A Secretaria Estadual de Segurança Pública alegou questões administrativas para a transferência. Atualmente, Barbosa, policial há 32 anos, está afastado por denúncias de improbidade administrativa.
Neste intervalo, o inquérito foi apreciado até pela Procuradoria Geral do Estado, que, segundo Barroso, recebeu os documentos em agosto de 2004. A Procuradoria devolveu os documentos em maio deste ano, sem encontrar nenhum indício contra suspeitos.
''A Polícia localizou 15 carros iguais ou semelhantes ao envolvido no acidente. Destes, 14 foram periciados. Nosso próximo passo é enviar uma carta precatória à delegacia de trânsito de São Paulo para periciar o último, no Estado vizinho'', explicou Barroso.
O delegado afirmou que o inquérito não aponta suspeitos para o crime. Ainda assim, ele elogiou a condução até o momento, lembrando, porém, que a família deve continuar a ter paciência. ''Até agora, ele foi muito bem encaminhado. Mas não é um processo simples, exige muita investigação, ainda deve demorar parar ser concluído'', destacou.
Sônia mora com o marido e mais um filho nos fundos da casa do sogro. ''Vivemos de forma muito simples. João Marcos ajudava nas despesas, mas ainda conseguimos ficar bem, honestamente e sem passar por necessidades'', descreve. O protesto, no qual a dona de casa pretende usar faixas para lembrar do filho, vai fazer um pedido simples, até com ares de clichê: ''Não quero vingança. Quero justiça''.


