Dois acusados do caso Zanella vão ser julgados em outubro
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terça-feira, 15 de setembro de 1998
James Alberti 
Os policiais civis Reinaldo Siduovski e Airton Adonsk Júnior, dois dos oito acusados do assassinato do estudante Rafael Rodrigo Zanella, devem ser julgados no dia 1º de outubro, a partir das 9 horas, no Tribunal do Júri de Curitiba. A data ainda não foi anunciada oficialmente, mas já teria sido agendada pelo juiz Luiz Zarpelon, que vai presidir o júri. A afirmação foi feita ontem pelo advogado Júlio Militão da Silva, que será auxiliar de acusação do promotor Celso Ribas.
Militão foi contratado pela família de Rafael. Ontem a mãe do estudante, Elizabetha Zanela, disse que está ansiosa pela realização do julgamento. Ela tem certeza de que os acusados serão condenados, inclusive os outros seis que ainda não serão julgados. Não há menor dúvida de que eles são culpados. Tenho certeza de que a Justiça vai se fazer, afirmou. Elizabetha acredita que a condenação dos policiais e do ex-funcionário público Almiro Deni Schmidt será uma lição para outros maus policiais. Eles saberão que existe Justiça no Paraná e que eles podem ser punidos, disse.
Outros dois acusados, Jorge Bressan e Schmidt, que apesar de não ser policial participava armado da blitz e fez o disparo que matou Rafael, também foram mandados a juri pela 6ª Vara Criminal. Eles não serão julgados agora porque entraram com recurso no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. O TJ deve decidir se os dois irão ou não ser julgados por um júri. Militão da Silva espera que o TJ se pronuncie em um mês, no máximo.
Também não há data ainda para o julgamento dos outros quatros acusados do homicídio: os delegados Francisco dos Santos e Maurício Bittencourt Fowler, o escrivão Carlos Henrique Dias e o superintendente Daniel Santiago Cortez. Todos estariam em liberdade e trabalhando na polícia, segundo Elizabetha. Estão andando por aí como se nada tivesse acontecido e a gente ainda paga o salário deles. Não me conformo com isso, disse ela.
O julgamento dos dois policiais vai acontecer 17 meses depois da morte do estudante, ocorrida em 28 de maio de 1997, durante uma suposta blitz policial no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, onde Rafael morava. O estudante recebeu um tiro na cabeça e teria tido pacotes de droga colocados junto ao corpo pelos próprios policiais para forjar um flagrante. Desde a descoberta da farsa, Elisabetha luta para inocentar o filho e incriminar os policiais. Na noite do crime, ele havia saído da aula e ia, com dois amigos, jogar futebol.


