A rotina dos carteiros não é fácil. Além de andar por vários quilômetros carregando a sacola com as correspondências, faça chuva ou sol, ainda precisam tomar cuidado para não serem mordidos pelos cães.
Paulo Rogério Tillvitz, há nove meses no Correio, já foi atacado duas vezes, sempre por animais de pequeno porte. A primeira mordida, na perna, foi há dois meses. ''Era uma casa conhecida, eu sabia que tinha cachorro e tomava cuidado. Nesse dia a dona teve que abrir o portão para assinar o recebimento, o cachorro saiu e me mordeu'', conta.
Segundo ele, a mulher prontamente ofereceu auxílio e se dispôs a pagar eventuais despesas com o tratamento. ''Tive que ir ao posto de saúde, fazer curativo e tomar as vacinas antitetânica e antirrábica. Ainda bem que não precisei dar pontos'', ressalta.
O segundo acidente foi há menos de um mês. Tillvitz também sabia sobre o cão e já havia avisado que o animal, embora pequeno, conseguia pular e alcançar a caixa de correspondências. ''Tem um pedaço do portão que é tampado. Um dia fui entregar uma carta, ele estava deitado lá e eu não vi. Assim que enfiei o braço pela grade ele pulou e mordeu a minha mão. ''Chamei o proprietário do animal, que também prestou socorro e se ofereceu para pagar o que fosse necessário. Também fui ao posto de saúde, mas como tinha tomado as vacinas há pouco tempo, não foi necessário maiores cuidados.''
Trabalhando de moto agora, o carteiro conta que tem que redobrar os cuidados, já que muitos cães gostam de perseguir o veículo. Ele ressalta que a colaboração da comunidade é fundamental, restringindo o acesso dos cães à caixa de correspondência. Colocar o dispositivo embutido nem sempre dá resultado, já que o animal pode atacar por cima do muro, caso este seja mais baixo.
''As pessoas precisam se conscientizar que os carteiros passam todo dia naquela casa, estamos muito mais expostos a um acidente'', ressalta.
Rose Maria Manosso, chefe da Seção de Medicina, Engenharia e Segurança do Trabalho da Diretoria Regional dos Correios no Paraná, afirma que a maior parte dos acidentes envolvendo carteiros é com cães semidomiciliados, aqueles que têm dono mas ficam soltos na rua.
Rose conta que houve um aumento nos acidentes do ano passado para este, não só em Londrina mas em todo o Paraná. Em 2011 foram registrados 105 e em 2012, até agosto, já foram 106 ataques caninos. Na região de Londrina foram registradas duas mordeduras em 2011, sendo uma no próprio município e neste ano já são oito, sendo duas em Londrina.
''A orientação é que o carteiro deixe de entregar a correspondência caso haja riscos. Em média, cada ocorrência gera três dias de afastamento do trabalho. Os acidentes com cães vão além da mordedura, algumas pessoas acabam desenvolvendo fobia também'', comenta Rose, acrescentando que, quando necessário, solicitam que a caixa de correspondência seja reposicionada. (E.G)

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