Osmani Costa
De Londrina
O catador de papel Ademir Justino da Silva, 21 anos, apresentou-se na tarde de ontem à delegada do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina, Valdete Testoni, e negou em depoimento que seja o autor do sequestro da menina Greice Carolina da Silva Melo, 5 anos, desaparecida desde a noite de 1º de setembro.
Ademir da Silva, conhecido como ‘‘Doido’’, estava foragido desde o dia do sequestro e era tido pela polícia como o principal suspeito do crime. Ele foi acusado pelo também catador de papel Cilso Lourenço, que se apresentou à delegada do 2º DP, na semana passada, dizendo ser a única testemunha do sequestro.
O acusado disse no depoimento de ontem que considerava a menina Greice como uma filha e que não tem a menor idéia de quem pode tê-la sequestrada. Ademir da Silva morou com a mãe da menor, Marineide da Silva Melo, 26 anos, durante cerca de dois anos, no assentamento Santa Fé (zona leste da cidade). O casal está separado há aproximadamente dois meses. O ‘Doido’ negou ainda que seja usuário de drogas, que espancava Marineide Melo, e que tenha abusado sexualmente da menor desaparecida há nove dias.
A delegada Valdete Testoni afirmou considerar bastante convincente o depoimento prestado por Ademir da Silva. ‘‘Ele esteve muito calmo, tranquilo e firme durante todo o depoimento. A partir de hoje, ele está praticamente fora de suspeita. Teremos que mudar os rumos de nossas investigações e recomeçar da estaca zero’’, ressaltou a delegada.
Ela adiantou que intimará para novos depoimentos Marineide Melo e o seu novo amásio, Cilso Lourenço. ‘‘Há uma contradição muito grave no depoimento de Cilso. Ele disse que o homem que viu levando a menina tinha o cabelo bem curto, recém-cortado. O Ademir, como vimos hoje aqui, continua com o cabelo muito longo, nos ombros’’, comentou Valdete Testoni, ressaltando que, a partir de agora, o próprio Cilso passa a ser considerado como um suspeito pelo desaparecimento de Greice.
‘‘A mãe da menor, no depoimento, ao contrário do que vem fazendo pela imprensa, não acusou ninguém. Aliás, ela parecia interessada em proteger o responsável pelo crime’’, disse a delegada do 2º DP. ‘‘Então, temos aí várias dúvidas. Vamos ouvir novamente o Cilso, a Marineide, vizinhos e dar novos caminhos às investigações.’’ Ademir da Silva compareceu ao 2º DP acompanhado pelo advogado João Ademar Menta e pelo seu pai, Marivaldo Justino da Silva, que é mecânico e reside em Santa Cecília do Pavão (110 km a leste de Londrina).

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