Lucilia Okamura
De Londrina
O catador de papel Ademir Justino da Silva, 21 anos, prestou depoimento à delegada do 2º Distrito Policial, Waldete Testoni, demonstrando muita calma e frieza. Ele confessou o assassinato de Greice Carolina Melo e contou detalhes de como praticou o crime. Ele teria matado a menina para se vingar da mãe dela, Marineide Melo, porque ela o havia traído há algum tempo.
A investigadora do 2º DP, Solange Oliveira, disse que Ademir da Silva, conhecido por ‘‘Doido’’, relatou que foi de madrugada até o barraco de Marineide Melo para matá-la. ‘‘Como ele não encontrou Marineide, pegou a menina, enrolada em um cobertor e levou-a até a antiga estação ferroviária’’, contou. ‘‘Lá ele deu várias facadas e depois de morta estuprou-a’’.
O acusado não soube precisar o horário que teria ocorrido o assassinato porque estaria embriagado, segundo declarou à investigadora. Ele também não disse quantas facadas teria dado na menina.
Ademir da Silva contou ainda que após matar a menina, colocou-a em um saco e jogou-a em uma tubulação de esgoto. Em seguida, ele teria ainda jogado uma pedra por cima. Solange Oliveira contou que após o assassinato, ele fugiu e só apareceu na quinta-feira. Policiais procuraram a arma do crime nas proximidades da antiga pedreira, no Jardim Santa Fé (zona leste), mas não conseguiram encontrá-la.
A investigadora observou que chamou a atenção o fato de o acusado, durante o depoimento, ter pedido um exame. ‘‘Ele não soube dizer o nome, mas quis dizer que quer um exame de sanidade mental’’, relatou. Na sua opinião, apesar do apelido, o catador de papel não é doido. ‘‘Ele é inteligente’’, ressaltou. Ela disse que o acusado já havia sido preso em Santa Cecília do Pavão por estupro praticado contra uma mulher maior de idade.
Ademir da Silva foi apresentado à imprensa, mas não quis dar nenhuma declaração. ‘‘Eu não tenho nada a dizer’’, afirmou. Disse apenas que havia sido traído por Marineide Melo. Durante a maior parte do tempo ele permaneceu impassível e de cabeça baixa. Ele só ergueu a cabeça para falar algumas frases desconexas e sem sentido. ‘‘A vingança vem do inferno’’, disse. ‘‘São todos os mesmos’’. Depois, irritado, pediu para sair da frente dos jornalistas.
No final da tarde, a Justiça decretou a prisão preventiva do catador de papel. No início da noite, ele seria transferido para a Prisão Provisória (zona sul).

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