Luciana Pombo
De Curitiba
Falta de medicamentos específicos para pacientes com problemas renais e demora no atendimento. Estas foram algumas das deficiências encontradas ontem pela reportagem da Folha na farmácia especial do Posto de Saúde da Rua Barão do Rio Branco, esquina com a André de Barros, no Centro de Curitiba. A dona de casa Ana Lúcia Vieira, de 42 anos, faz tratamento renal há nove anos, está na fila do transplante há quatro. Há várias semanas, ela não consegue o remédio ‘‘Roucatrol’’, do laboratório Roche, necessário para aliviar a dor e facilitar a absorção do cálcio no intestino. ‘‘A sorte é que eu tenho um resto deste medicamento em casa ainda’’, afirmou ela.
O vendedor autônomo Antonio da Rocha, de 47 anos, foi buscar o mesmo medicamento para a mulher. ‘‘Eles me mandaram voltar na quinta-feira para ver se o medicamento já chegou’’, contou. Rocha disse que teria que comprar o remédio na farmácia. ‘‘Não vai dar para esperar até quinta’’, disse. Nas farmácias também pode ser difícil encontrar esse medicamento. Na Drogaria Nissei, em Curitiba, o medicamento não está sendo comercializado há cerca de cinco meses. O nefrologista Ândreas Linhares disse ontem que o medicamento Roucatrol é importante para os pacientes que têm doença renal crônica, pois evita deficiências ósseas.
O nefrologista Luiz Santos explicou que o medicamento substitui um hormônio fabricado pelo rim e facilita a absorção do cálcio. O Roucatrol pode ser substituído por um similar, o Calcitriol, que não existe no mercado. ‘‘O Roucatrol não é encontrado em farmácias, ele é garantido pelo Governo’’, disse. Outro medicamento que está sendo difícil de encontrar, de acordo com ele, é o ‘‘Eritropoetina’’, contra a anemia do doente renal.
Ontem, o secretário Estadual de Saúde, Armando Raggio, disse que não tinha conhecimento da falta deste medicamento nos postos de saúde do Paraná. ‘‘A gente já teve dificuldades, mas a situaçao foi regularizada’’, afirmou ele. A diretora geral da Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar), Lori Lamb, disse que o medicamento está em falta desde o último dia 25. Ela garantiu que hoje o remédio estaria sendo distribuído – novamente – na farmácia especial. ‘‘Teremos quantidade suficiente para mais 60 dias’’, garantiu. De acordo com Lori, a falta do medicamento foi ocasionada por problemas burocráticos. ‘‘O pedido para a compra estava em tramitação, houve alguma demora para a liberação’’, justificou.

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