Londrina - A espera de três horas para conseguir atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) terminou em frustração para o tapeceiro Everton Soares dos Santos Martins. Com queixas de dores de cabeça e garganta há algumas semanas, ele passou por várias consultas médicas que não resolveram o problema, relativamente simples.
Há uma semana, quando procurou atendimento num posto de saúde da Zona Norte, a consulta de dez minutos resultou em mais uma prescrição de medicamentos e muitas dúvidas. "Fiquei três horas esperando, para ser atendido em alguns minutos. O médico não disse o que tenho, não explicou nada e quase não conversou. Já procurei o posto várias vezes e nunca me pediram um exame. O que eu quero é resolver o problema", indignou-se.
No mesmo dia, em uma Unidade Básica de Saúde da Zona Leste, a dona-de-casa Angelina da Silva Souza reclamava da espera de algumas horas para colher um exame de sangue. "Me atrasei cinco minutos e agora tenho que esperar encaixe. Aqui a consulta é sempre rápida, os médicos ficam escrevendo sem falar nada e os funcionários muitas vezes atendem mal", reclamou.
Para a gerente médica da Diretoria de Ação em Saúde (DAS) da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Raquel Cristina Guapo Rocha, as queixas dos usuários são "superficiais". "Teríamos que identificar onde acontece o problema e chamar o profissional para conversar", afirmou. Segundo ela, as pessoas insatisfeitas com o serviço devem ligar para a ouvidoria da secretaria, no telefone 0800-4001234. "As situações serão avaliadas em particular", esclareceu.
A gerente explicou também que os médicos são remunerados por salário fixo, e não por cada consulta realizada. Ela enfatizou que os profissionais não têm um número mínimo de atendimentos para cumprir. "O tempo de consulta depende da situação clínica, e pode durar cinco minutos ou mais de uma hora. O médico tem livre arbítrio para decidir", disse. Sobre o tempo de espera, ela afirmou que os postos trabalham com um sistema de agendamento fracionado em horários diferentes. "As pessoas que esperam são as que tentam horários de encaixe".
A orientação dada aos 240 profissionais que atuam na rede municipal é que eles façam o exame clínico geral do paciente e solicitem exames se julgarem necessário.

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