A estrutura de atendimento a doentes mentais em Curitiba e Região Metropolitana deverá passar por alterações até o final deste ano, prazo no qual a Secretaria Municipal de Saúde vai recredenciar todos os serviços que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A idéia é aproveitar o recredenciamento para diminuir o número de leitos psiquiátricos, substituindo a internação pelo atendimento ambulatorial sempre que possível.
A mudança no modelo de atendimento, hoje centralizado na internação, foi uma das deliberações da 1ª Conferência Municipal de Saúde, que aconteceu no último final de semana. A implantação de um novo modelo, que facilite a integração do doente à sociedade, está prevista na Lei Estadual 11.189, de 1995, mas até agora pouca coisa foi feita.
A lei prevê a criação de uma rede integrada de atendimento em saúde mental, com ambulatórios, hospitais-dia, centros de convivência e oficinas de atividades, e determina a criação de leitos para pacientes com distúrbios psiquiátricos em hospitais gerais.
A coordenadora da Central de Atendimento ao Usuário da secretaria, Ivana Busato, diz que alguns avanços já foram conseguidos. Os hospitais Pinel e Bom Retiro, por exemplo, já têm núcleos ambulatoriais. Mas, segundo ela, a mudança no modelo enfrenta resistências, por exemplo, dos hospitais gerais, que relutam em criar leitos para doentes mentais.
Por isso, a secretaria pretende aproveitar o recredenciamento para reavaliar a destinação de recursos.
‘‘Queremos humanizar o atendimento ao doente mental, proporcionando-lhe melhor qualidade de vida’’, explica o psiquiatra Wirmond D’Angelis, coordenador de saúde mental da secretaria. A intenção é capacitar pessoal para formar equipes credenciadas nas unidades de saúde. Em Curitiba e região, cerca de 1,2 mil pessoas são internadas por mês nos hospitais e clínicas - 50% das internações referem-se a alcoolismo. Wirmond diz que 60% dos alcoólatras não precisariam ficar internados.

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