Doentes mentais podem ter casas-lares
Cerca de 38 mil doentes mentais que hoje estão depositados nos hospitais do Paraná, abandonados pelas famílias, poderão receber um novo tipo de atendimento das instituições de saúde. Ontem, o Conselho Nacional de Saúde estava discutindo a implementação de casas e repúblicas sustentadas por recursos federais, onde viveriam essas pessoas. Até o fechamento desta edição a proposta ainda não havia sido aprovada, mas se o resultado for positivo existe interesse das secretarias de saúde estadual e a municipal de Curitiba em implementar projetos similares.
Para a coordenadora estadual do Programa de Saúde Mental, Cristina Roodar, a proposta de casas-lares é positiva porque reintegraria à comunidade doentes que hoje vivem isolados em hospitais psiquiátricos. Hospitais, como o Adauto Botelho, em Pinhais, estão esperando apenas a aprovação do projeto para dar melhores condições de vida a pacientes deixados por familiares, diz. A proposta no Adauto Botelho é criar uma pequena colônia próxima ao hospital, em que a comunidade de doentes seja auto-sustentável.
Em Curitiba, o Hospital Nossa Senhora da Luz também pensa neste tipo de atuação. Hoje estão depositados na instituição 350 pacientes, rejeitados por seus familiares. O importante para que o projeto tenha maior êxito é que se crie estrutura de apoio ao processo, avalia o coordenador de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, o psiquiatra Wirmond Luiz Rocha DAngelis.
DAngelis diz é preciso criar uma infra-estrutura que enquadre essas pessoas em rotinas do dia-a-dia, ofertando até aulas de musicoterapia. Até o momento, elas estão vivendo em ambientes artificiais. Ao se colocar em casas-lares, os doentes seriam novamente reintegrados à vida, complementa Cristina Roodar.
Para a psicóloga, o maior entrave desse processo é o preconceito social. É preciso trabalhar a sociedade para viver perto de loucos, comenta. Para ela, da mesma forma que a família isola o doente em hospitais distantes, a comunidade também faz isso com os diferentes. Por isso, ela diz ser importante resgatar o antigo espírito de conviver com loucos.
Atualmente, independente da proposta de casas-lares, as duas secretarias já estão desenvolvendo programas de reintegração dos doentes mentais à comunidade. Hoje, o número de leitos para tratamento psiquiátrico vem diminuindo e os doentes são internados nos hospitais apenas quando crises se manifestam.





