Um grupo de pessoas doentes de Aids, drogados e ex-drogados de Umuarama decidiu sair do anonimato para lutar contra o preconceito e alertar a sociedade para os riscos da doença e das drogas. A presença e os depoimentos de doentes e viciados atraem centenas de pessoas às palestras, feitas em todas as cidades da região. Muita gente se emociona, chora e se aproxima para trocar beijos e abraços com os doentes. Muitos nunca viram um doente de Aids antes e se impressionam ao ouvir os depoimentos deles.
Liderado pelo funcionário público Joel Barbosa, membro do grupo religioso católico Desafio Jovem Canaã, o grupo faz em média 3 palestras por semana e a presença deles é cada vez mais requisitada, principalmente em escolas. Semana passada, o grupo fez palestra para cerca de 3 mil pessoas no ginásio de esportes de Terra Roxa. Além de chamar a atenção das pessoas para o drama da Aids e das drogas, o grupo condena todo tipo de preconceito.
Embora aceite se expor ao público nas palestras, nenhum dos doentes ou drogados concorda em aparecer na imprensa. ‘‘O preconceito ainda é muito forte e preferimos combatê-lo assim, no corpo a corpo’’, justifica S., 29 anos, a mais antiga do grupo. Moradora num distrito de Umuarama, S. descobriu há 5 anos que tinha Aids, contraída ao usar drogas injetáveis em São Paulo, onde fazia faculdade. Na época, ela deu entrevista à Folha e apareceu fotografada de costas.
Mesmo assim foi reconhecida e expulsa da cidadezinha onde morava. Também teve que abandonar vários pensionatos onde morou em Umuarama, quando descobriam que ela tinha Aids. Hoje divide um apartamento com uma amiga.
O grupo de jovens acompanha 21 doentes de Aids, além de drogados e ex-drogados que se integram em busca de apoio. Oito deles participam das palestras. Sueli C., 32 anos, foi uma das que abraçaram a causa. Ela contraiu Aids do marido, um caminhoneiro que morreu em setembro de 95, cinco meses depois de o casal descobrir a doença. Hoje morando com a mãe em Umuarama, Sueli conta que decidiu se engajar no grupo para ajudar a alertar outras mulheres casadas sobre o perigo da Aids.

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