Doentes duvidam da eficácia de vacina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de maio de 1999
Telma Elorza 
O aumento dos casos de gripe em Londrina nos últimos dias está gerando dúvidas sobre a eficácia da vacina contra a doença, recentemente aplicada a idosos em campanha nacional específica, além de campanhas próprias desenvolvidas em empresas. A preocupação maior seria o fato da vacina estar desencadeando o quadro gripal, sendo a responsável pela epidemia.
Segundo a atendente de uma das farmácias da rede Vale Verde, Gisele Dobi Toreto, a procura por remédios antigripais vem aumentando consideravelmente desde meados de abril. Em muitos casos, as pessoas chegam reclamando, dizendo que ficaram gripadas logo depois de tomarem a vacina. O mesmo acontece na Farmácia Central, segundo o atendente Antônio Marcos de Carvalho. Um cliente nosso chegou a comentar que nunca tinha pego uma gripe na vida e que foi só tomar a vacina para ficar gripado.
A possibilidade de a vacina ser a causadora do surto, porém, foi afastada por especialistas. Segundo o clínico-geral e infectologista Jan Walter Stegmann, é praticamente impossível que isto tenha ocorrido. Se a pessoa tomou a vacina e logo depois desenvolveu o quadro gripal é porque já tinha o vírus da gripe incubado em seu organismo. A vacina só começa a agir no organismo depois do 20º dia da aplicação.
Para a diretora do setor de Epidemiologia e Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Mara Ferreira Ribeiro, a vacina da gripe não causa nenhum efeito adverso, como o desenvolvimento do quadro gripal. Segundo ela, há duas possibilidades para os casos de pessoas que ficaram gripadas após a vacinação.
A pessoa podia ter o vírus incubado no organismo antes da vacinação ou confundir outros tipos de viroses com a gripe, o que é comum, afirmou. O vírus da gripe, de acordo com ela, fica incubado no organismo por cerca de 3 a 4 dias antes dos sintomas começarem a aparecer.
Para a médica, a vacina tem uma grande eficácia, que gira em torno de 70%. Quando vacinada, a pessoa fica imune por um período de 10 a 12 meses. E, de acordo com ela, quem tomou a vacina e na sequência desenvolveu um quadro gripal não precisa se preocupar, a doença não anula o efeito da vacina. Após a cura, a vacina já terá começado a fazer efeito e a pessoa ficará protegida contra outras recaídas, garantiu.
A dona de casa Júlia Pereira Perseguini, 66 anos, moradora no Jardim Silvino, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), tomou a vacina durante a campanha e ficou gripada logo em seguida. Eu tomei a vacina no dia 23 de abril. Sábado comecei a sentir os sintomas e no domingo e na segunda-feira, fiquei muito ruim mesmo, com febre alta, tossindo muito e sem voz. Apesar da proximidade de datas, dona Júlia não acredita que tenha sido a vacina a causadora de seu quadro. Lavei a cabeça com água quente e depois saí no vento. Na mesma hora comecei a sentir a garganta raspando e o nariz trancado.
A professora aposentada Haydee Junko Migubutti, 52 anos, moradora no Conjunto João Paz (zona norte) também é outra que está enfrentando os efeitos de uma gripe forte e prolongada. Estou gripada desde o início de abril. Haydee diz que toma a vacina contra gripe todos os anos, mas que desta vez não deu certo. Fui ao médico, tomei um monte de remédios e só agora é que estou começando a melhorar.


