Doente afirma que foi agredido em supermercado
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2002
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá O ex-vendedor Marcos Ferraz de Medeiros, 60 anos, está indignado com a agressão sofrida anteontem à noite, no Supermercado São Francisco, da Avenida Tamandaré, no centro de Maringá. Por causa de uma colostomia (desvio intestinal) que o obriga a utilizar uma bolsa na barriga, ele foi agredido pelos seguranças da loja porque acharam que o volume debaixo da camisa se tratava de mercadorias furtadas. Medeiros disse que foi levado com violência pelos seguranças para uma salinha do supermercado, onde permaneceu por cerca de 40 minutos.
Medeiros contou que anteontem à noite, depois de fazer algumas compras no centro da cidade, decidiu entrar no supermercado em busca de uma jarra de vidro. Quando percebeu que sua bolsa havia enchido, tentou ir ao banheiro, mas não conseguiu porque depende de privacidade e os sanitários masculinos estavam lotados. Quando saí de perto do banheiro esbarrei em um segurança, mas como sempre mantenho a mão em cima da bolsa por precaução, notei que o segurança já me olhou de maneira estranha; porém, não me incomodei, afinal esta é a minha vida, comentou.
O ex-vendedor afirmou que ao tentar sair do supermercado foi chamado por um segurança. Ele me abordou dizendo que o gerente queria falar comigo, disse Medeiros. Em seguida, um outro segurança chegou, sendo que cada um pegou em um braço do ex-vendedor e o levou ao interior da loja. Eu tenho vergonha de mostrar esta bolsa porque é algo íntimo, mas mesmo mostrando, os seguranças não aceitaram os meus argumentos.
Medeiros contou que começou a chamar a atenção de outros clientes e acredita, que em razão disso, dois seguranças o arrastaram até um pequena sala debaixo de uma escada de acesso à gerência. Deram-me uma chave de braço e me revistaram por inteiro...Foi constrangedor, afirmou, mostrando o braço direito com hematoma.
Ele contou que só depois de ser revistado o gerente desceu, mas ainda assim, os seguranças teriam continuado a intimidá-lo. São uns covardes e despreparados, criticou Medeiros. O gerente começou a colocar panos quentes, me dispensando, mas daí eu comecei a gritar até conseguir uma ligação para o meu cunhado que é policial, pois depois de tudo, decidi que só sairia do supermercado quando a polícia chegasse, afirmou.
O registro da ocorrência da agressão sofrida pelo ex-vendedor foi feito na 9ªSubdivisão Policial de Maringá, por meio de um termo circunstanciado por lesão corporal e constrangimento ilegal, que será encaminhado para abertura de inquérito no 1º Distrito Policial. A reportagem da Folha esteve no supermercado, mas a gerência não quis atender alegando que não irá se pronunciar sobre o caso.


