Brasília - Conhecidas popularmente como reumatismo, as doenças reumáticas são tão diversas que chegam a 150 tipos diferentes. De acordo com o Ministério da Saúde, 15 milhões de brasileiros sofrem de reumatismo, uma doença que pode afetar os ossos, cartilagens, articulações e músculos. Ligadas às mais diversas causas e contextos, elas têm em comum a dor e as inflamações, e chegam a ser uma das principais causas de afastamento do trabalho. O tratamento é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive com a oferta de medicamentos.
Artrose, artrite reumatoide, lúpus, fibromialgia, tendinites, bursite, gota, febre reumática e osteoporose são algumas das doenças reumáticas mais comuns. Ao contrário do que muita gente pensa, elas não atingem somente idosos. Podem atingir pessoas de todas as idades e qualquer gênero, sendo mais prevalente nas mulheres, principalmente a partir dos 40 ou 50 anos. Quem faz o alerta é o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Dr. Walber Pinto Vieira.
"Um dia fui dormir e no outro acordei sem conseguir mexer o braço nem as pernas. Já não tinha quase movimento", conta a engenheira civil Jacqueline Dias, de 50 anos. Ela descobriu a artrite reumatoide há 20 anos e passou quase 10 sem conseguir fazer exercícios. "Comecei com uma dor no ombro e pensava que era de jogar tênis", lembra Jacqueline.
Ela conta que sentia muitas dores e passou por vários tratamentos. Um ano atrás, começou a tomar um remédio disponibilizado pelo SUS e melhorou muito. O medicamento, que tem como substância ativa o Etanercepte, é um antirreumático de uso injetável, indicado para o tratamento de artrite. "Faz um ano que tomo esse remédio e melhorei uns 90%. Esse eu pego pelo SUS, são duas caixas, que duram um mês e é quase R$ 50 mil se fosse no particular. Graças ao medicamento, consigo fazer exercício sem dor e tenho mais liberdade de movimento", comemora Jacqueline.
O reumatologista Walber Pinto explica que esse é um remédio biológico. "Eles (os biológicos) chegaram para mudar o tratamento. Antes a gente tratava os pacientes e chegava a um ponto que não tinha mais respostas. E os biológicos têm mudado essa realidade", comenta Walber.
Mesmo atingindo todas as faixas etárias, existem alguns fatores de risco que contribuem para as doenças reumáticas. São eles o fumo, idade avançada, obesidade, consumo de bebidas alcoólicas em excesso e ingestão de alguns fármacos. "Recomendamos que tenha praticas saudáveis, combata a obesidade, faça uma atividade física constante, evite fumo e bebida alcoólica. E ao sentir dores ou inchaço nas articulações periféricas, procure o reumatologista", sugere Walber Pinto.
O reumatologista lembra que para o diagnóstico o fundamental é o exame clínico, pois ele que comprova a doença. "É a conversa com o paciente e o exame físico que representa cerca de 70% do diagnóstico. O exame de sangue e o exame de imagem são complementares na comprovação do diagnóstico", explica.

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