Doenças respiratórias estão levando centenas de crianças aos hospitais de Londrina, devido ao clima frio e seco. Com um atendimento normal de 180 crianças por dia, o Pronto Atendimento Infantil (PAI) está atendendo desde meados de abril uma média de 280 a 300 crianças por dia.
Segundo o diretor-clínico, Jonilson Favareto, 90% são vítimas de broncopatias – alergias respiratórias (asma, por exemplo), traqueobronquites, pneumonia, broncopneumonia e gripes (infecções de garganta, ouvido e nariz). Estas doenças são típicas do inverno, que começa em junho, mas o clima frio e seco dos últimos dias acabou antecipando a demanda que deveria iniciar em maio e ir até julho, de acordo com Jonilson Favareto.
A grande maioria dos pacientes atendidos têm idades de 0 a 3 anos. Jonilson Favareto explica que crianças nestas idades são mais atingidas por doenças respiratórias devido ao tamanho das vias respiratórias. O pediatra do Hospital Universitário (HU), Eduardo Ferreira da Silva Neto complementa, afirmando que de 0 a 1 ano o sistema imunológico do ser humano ainda não está totalmente formado.
O resultado são crianças em inaladores e internadas. A Central de Observação do PAI – com 12 leitos – está trabalhando no seu limite e em muitos plantões com uma quantidade maior de pacientes do que poderia comportar. ‘‘Já teve plantão que estavamos com 20 crianças na Central de Observação’’, afirma o diretor-clínico.
No PAI, as crianças ficam internadas até seis horas. A enfermeira-gerente, Suzana Noske Dias, explica que, se após este período, o quadro ainda precisa de acompanhamento a criança é encaminhada para internação nos hospitais secundários e terciários. Nos últimos 20 dias, a média de encaminhamento para internação tem sido de 24 crianças por dia, o que representa de 8% a 10% do total de atendimento. ‘‘Normalmente este índice é de 2%’’, afirma Jonilson Favareto.
‘‘Só ontem a noite (terça-feira) foram encaminhadas para os hospitais nove crianças’’, afirma Suzana Dias. Os casos de urgência, segundo ela, também aumentaram. ‘‘Todos os dias estão chegando vários casos de urgência por problemas respiratórios. Isto provoca uma certa demora no atendimento’’, explica. Para ajudar no atendimento, a equipe foi reforçada. Normalmente formada por três a quatro médicos por período (manhã, tarde e dois a noite), ontem a equipe estava com cinco médicos, além de 11 auxiliares e seis enfermeiras.
No HU, segundo o pediatra Eduardo Fernandes da Silva Neto, as doenças respiratórias aumentaram o atendimento no pronto-socorro em 15%, e a internação também em 15%. ‘‘Embora o inverno ainda não tenha começado, o clima seco propicia o aumento da demanda’’, explica.
No Hospital Infantil, de acordo com a assessoria de imprensa, foi registrado, a partir de primeiro de maio, um aumento de 52% na internação, sendo a grande maioria devido a doenças respiratórias. No pronto-socorro do hospital o atendimento dia passou de 40 a 45 para 60 a 70.
Os médicos recomendam alguns cuidados como: amamentação até um ano de idade, ingestão de muito líquido, evitar roupas que acumulem poeira dando preferência para edredons e moletons, boa nutrição com acompanhamento médico nos postos de saúde, manter os ambientes ventilados, com duas janelas abertas para que o ar circule pela casa toda.

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