Com a chegada do outono e as constantes variações climáticas da estação, as crianças ficam mais vulneráveis às doenças do sistema respiratório. Segundo o diretor clínico do Pronto Antendimento Infantil (PAI) de Londrina, Mohamad El Kadri, desde o início de abril foi registrado um aumento de 40% no número de consultas. ''Isso representa um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado'', disse.
Em relação ao meses de setembro a fevereiro, o número de consultas diárias pulou de 200 para 300. ''Por mês chega a umas cinco mil, enquanto que na primavera e no verão não passa de três mil'', contou El Kadri. Contudo, o médico lembra que esta variação é esperada. A dona de casa Micheli Cristina Trevisan, de 21 anos, já se acostumou à situação. As filhas Karollayne, de 11 meses, e Mikaeli, de 4 anos, têm bronquite e nesta época precisam fazer inalações constantemente. ''No frio as crises ficam mais fortes. Às vezes a mais velha fica ruim durante uma semana inteira'', disse.
As doenças mais comuns neste período são otite (dor de ouvido), crises de asma, amidalite e resfriados. O diretor esclareceu que o surgimento de doenças respiratórias é resultado do clima típico da estação, com alternância de temperatura e ar seco. ''Pela manhã o clima é frio. Durante o dia esquenta, mas à noite volta a esfriar. O ideal é não deixar as crianças saírem muito cedo e nem ficarem expostas até tarde'', recomendou.
Além da mudança de temperatura no decorrer do dia, o clima seco é o fator que mais prejudica, segundo o pediatra Álvaro de Oliveira. Ele explicou que a mucosa também fica seca e, principalmente, durante a noite, a criança passa a respirar pela boca, o que facilita o acúmulo de secreção nos brônquios e resulta em tosses. Neste caso, o pediatra aconselha manter o ambiente sempre úmido com vaporizadores, além de hidratar a criança. O mesmo cuidado deve ser tomado com os pacientes asmáticos.
A principal orientação dos pediatras é ficar atento ao estado geral da criançada. ''Se tem uma tosse sem mal-estar, o ideal é dar bastante líquido'', disse El Kadri. A preocupação só deve ocorrer em casos de febre alta, e quando o paciente parecer debilitado. ''Nessas situações é bom consultar o médico'', afirmou Oliveira. O auge dos sintomas das doenças viróticas, que são a maioria, acontece no terceiro e quarto dias, mas o ciclo viral costuma terminar no sétimo dia.
Quanto aos velhos conselhos de não tomar bebida gelada, não andar descalço e agasalhar-se, os pediatras explicam que não são causas das doenças, mas podem contribuir para o prolongamento dos sintomas e trazer complicações. ''Quando tomar sorvete, é bom sempre beber água junto, pois evita que a mucosa que está seca seja agredida pelo gelo'', explicou Oliveira. Sobre as variações climáticas, o diretor do PAI ressalta que é bom adaptar as roupas de acordo com o tempo.
''O banho deve ser dado na hora mais quente, ou então a mãe deve trocar a criança dentro do banheiro para evitar a mudança brusca de temperatura'', relembrou El Kadri. O aumento da ingestão de frutas, especialmente as com vitamina C, como laranja, limão e abacaxi, também é indicado. Boa alimentação e hidratação são indispensáveis para manter a criança saudável.

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