Curitiba - "O estudo com botos tem grande importância por dois aspectos. Primeiro porque é um animal que tem um papel de bioindicador eficaz da qualidade de água. Também porque ele está no topo da cadeia alimentar. Ele se alimenta de peixes e outros animais da água assim como nós. É uma espécie que chamamos de bandeira, com a saúde semelhante a nossa", avalia Marcos César de Oliveira Santos.
Outra preocupação do biólogo é que os botos são animais que interagem muito com humanos. "Além das pessoas gostarem de brincar com eles na água, sempre vemos uma grande comoção quando um animal encalha na praia. Várias pessoas acabam pegando neles e se sujeitando a contaminação também", afirma.
A pesquisadora Camila
Domit também defende que essa é uma situação que merece grande atenção, já que algumas dessas doenças já detectadas nos bichos são transmissíveis ao homem. "Mesmo sem termos todas as respostas, podemos afirmar que é um índice de contaminação perigoso", aponta.
Para o alerta, Santos decidiu publicar seu trabalho no periódico científico "Marine Environmental Research". Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente informou, através de sua assessoria de imprensa, que só irá se pronunciar sobre o tema após a conclusão dos estudos científicos, já que acredita que as causas da doença, ainda não determinadas, poderiam, até mesmo, ser hereditárias. (M.R.M.)

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