Doenças do coração são alvo de pesquisa
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terça-feira, 23 de novembro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O que se passa nos corações dos brasileiros? O projeto Corações do Brasil, que está sendo desenvolvido desde fevereiro pela Fundação do Coração (Funcor), órgão da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), visa responder esta pergunta e várias outras. Ao final do trabalho, 2.500 pessoas em 71 cidades brasileiras terão respondido a questionários sobre hábitos de vida e histórico de doenças na família e se submetido a exames específicos. O objetivo é traçar um panorama da propensão a doenças cardiovasculares da população do país, considerando-se fatores de risco e genéticos.
O trabalho é uma parceria da SBC com a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e as secretarias municipais de saúde das cidades onde a pesquisa está sendo aplicada. ''As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte em sociedades não-primitivas. Matam mais do que a aids, as guerras e os acidentes de trânsito'', aponta o cardiologista Wellington Moreira, um dos coordenadores do projeto em Londrina.
''Esta pesquisa é um trabalho inédito no Brasil. Até então, os dados disponíveis eram baseados nas populações dos Estados Unidos e da Europa'', explica. No Paraná, a pesquisa está sendo aplicada em cinco cidades: Londrina (20 entrevistados), Curitiba (70), Maringá (15), Foz do Iguaçu (15) e Cascavel (15).
Os entrevistados foram escolhidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que selecionou um público composto de representantes de diversas faixas etárias e realidades sócio-econômicas. As entrevistas estão sendo feitas pelo instituto Vox Populi, que também contabilizará os dados. Os números gerais deverão ser apresentados até o meio do ano que vem.
''O que queremos é que estes dados contribuam para traçar ações de prevenção e de redução de complicações decorrentes de doenças cardiovasculares. As ações terapêuticas poderão passar a ser mais específicas em relação à sociedade brasileira'', acredita Moreira. Outro resultado do trabalho será a criação de uma soroteca, que será mantida no Instituto do Coração, em São Paulo, e servirá para o desenvolvimento de mais pesquisas.
Segundo Moreira, será feito um acompanhamento de longo prazo das pessoas entrevistadas. O médico acredita que dados parciais da pesquisa estarão disponíveis para serem discutidos nas semanas de cardiologia que serão realizadas em várias partes do Brasil no primeiro semestre de 2005, antes da divulgação dos números finais.
A gerente médica da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Raquel Guapo Rocha, acredita que os resultados do trabalho da SBC somarão forças a mudanças na rede municipal que foram implementadas há pouco ou estão para ser efetivadas, como os protocolos (uniformização de condutas nos postos de saúde), as oficinas de processo de trabalho (reuniões anuais nas quais são debatidos indicadores epidemiológicos) e o ensino médico e auxílio a profissionais de saúde via Policlínica. ''A pesquisa nos ajudará a tomar medidas de prevenção''.


