Técnicos do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), departamento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que estão em Antonina, Litoral do Estado, investigando o surto de diarréia que até ontem havia infectado 717 moradores do município, desconfiam que a epidemia está sendo provocada por uma doença ''emergente'', pouco conhecida no País. Seu agente causador seria um protozoário, que pode ser adquirido por fezes humanas ou de animais. A hipótese mais provável é de que a fonte de contaminação seja a água encanada. A mais remota é de que a doença esteja sendo adquirida por alimentos.
Os resultados das análises em amostras de água, alimentos e fezes que foram encaminhadas no início da semana ao Instituto Adolpho Lutz, em São Paulo, e ao Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, foram adiados de ontem para a próxima segunda-feira. Os exames que podem desvandar o mistério foram solicitados pela Secretaria Estadual da Saúde.
''Como são análises precisas e sofisticadas, os laboratórios precisaram de mais tempo para fazer a cultura das fezes e esperar até o microorganismo crescer, para aí conseguir identificá-lo'', justificou o médico sanitarista da Secretaria Estadual da Saúde, responsável pela investigação do surto, Natal Jatai de Camargo.
O técnico da Funasa Ricardo Albernaz contou que no ano passado houve surto parecido em São Paulo. ''Depois de várias análises descobrimos que a causa da diarréia era o protozoário cyclospora, encontrado em fezes humanas, que estava sendo transportado pela água. Mas até hoje não se sabe como que ele entrou na rede. Se foi devido a uma enchente ou rompimento de algum cano.''
Caso seja comprovado que a fonte de contaminação em Antonina também é pela água encanada não há como punir alguém, segundo Albernaz. Ele disse que pela mudança no processo de tratamento do produto é possível eliminar o microorganismo que pode estar gerando a doença. O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) terá de incluir no processo o sistema de floculação, a exemplo de São Paulo.
Depois de percorrerem as estações de tratamento de água do município, os técnicos da Funasa constataram que os procedimentos adotados estão dentro das normas do Ministério da Saúde. Abernaz enfatizou que apesar da grande quantidade de casos, a doença não é grave, não há motivo para pânico, já que não houve mortes. Os técnicos prometeram ficar em Antonina até que esteja resolvido o problema. Eles foram chamados pela Secretaria da Saúde para ajudar na investigação.

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