Doença que provoca irritação e desconforto
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Reportagem Local 
Porto Alegre - Já sentiu uma queimação na altura do peito após comer? Ou mesmo aquela sensação de que a comida está voltando? Normal. Todos, uma hora ou outra, passam por isso e muitas vezes não percebem. O problema é quando essa sensação é muito recorrente e causa irritação e desconforto. Quem nos explica sobre a doença do refluxo é o médico gastroenterologista do Grupo Hospitalar Conceição (Porto Alegre), Ângelo Zamzam Mattos.
O refluxo ocorre quando o ácido produzido no estômago sobe para a região do esôfago. "O estômago tem um revestimento interno que está preparado para esse nível de acidez, mas o esôfago não. Quando o ácido sobe ao esôfago provoca uma inflamação que gera uma queimação e aquela sensação de que o conteúdo gástrico sobe até a boca", explica Mattos.
Segundo o médico, muitas podem ser as causas do refluxo. Desde alterações anatômicas e da função da musculatura entre o esôfago e o estômago, até comportamentos que facilitam o refluxo em pessoas predispostas. "O tabagismo, o alcoolismo, o consumo excessivo de alimentos gordurosos, alimentos muito ácidos ou muito picantes. E algumas substâncias como café, chá, chimarrão, bebidas com gás e chocolate. Esse tipo de substância aumenta a possibilidade de refluxo porque diminui a força do músculo que se propõe a segurar o ácido dentro do estomago", argumenta Mattos.
Existem ainda outros sintomas que, segundo o especialista, podem ser indício de uma maior gravidade da doença. Como a dificuldade de ingerir alimentos, alteração do timbre da voz, vômito com sangue, sangue nas fezes, fezes negras como piche, anemia ou perda de peso. "Fundamentalmente esses seriam o que chamamos de sinais de alarme", ressalta Ângelo. São sinais que podem indicar, por exemplo, uma úlcera de esôfago ou até um câncer.
"O refluxo de longa data pode levar a uma condição chamada esôfago de Barret, é uma condição pré-maligna que facilita a condição do câncer de esôfago", explica o médico. Às vezes a pessoa já tem os sintomas e não percebe, e quando vai se preocupar já está com uma lesão mais agravada. "Esses sintomas mais graves geram a necessidade de investigação mais rápida", completa.
Tratamento
Mattos alerta, ainda, que é importante que as pessoas consultem um médico para definir as recomendações e o tratamento mais adequado, que varia de caso a caso. Embora algumas recomendações mais gerais possam ser feitas. "Evitar grandes refeições, muito volumosas. Preferir várias pequenas refeições durante o dia. Depois de comer, esperar ao menos duas horas para se deitar. Evitar roupas muito apertadas. Para quem tem muito refluxo à noite, a elevação da cabeceira da cama pode ajudar", sugere o gastroenterologista.
O tratamento, segundo ele, "baseia-se fundamentalmente na classe de medicamentos chamada inibidores da bomba de prótons. Na grande maioria dos casos o paciente fica muito bem com o tratamento medicamentoso". Ele explica que somente em algumas situações excepcionais a cirurgia é necessária.
O gastroenterologista insiste que o refluxo é uma doença complexa e, por isso, é importante que o paciente não se automedique e procure um médico para não deixar de fazer um diagnóstico de algo mais grave, como câncer de esôfago.


