Doença prejudica vendas de terra
Apesar das providências, Arthur Thomas tentou evitar que se divulgasse a ocorrência, segundo o médico Adolfo Barbosa Góis, que chegou à cidade em abril de 1936. ''O dr. Gabriel Martins havia chegado aqui dois meses antes de mim, nomeado delegado de Higiene em substituição ao dr. Osvaldo Dias, que se indispusera com os diretores da Companhia de Terras por ter denunciado a epidemia de febre amarela silvestre dentro da gleba que estava sendo colonizada'', relata Góis em seu livro autobiográfico. ''Essa denúncia provocou grande arrefecimento das compras de lotes urbanos e rurais, trazendo prejuízos apreciáveis à Companhia''.
Conforme depoimentos no Centro de Documentação e Memória da Associação Médica de Londrina (CDM/AML), Osvaldo Dias estava em Londrina desde 1934, notificara os primeiros casos de febre amarela silvestre, na condição de delegado de Higiene, e solicitara auxílio à Fundação Rockefeller. A pedido da colonizadora, o interventor no Estado, Manoel Ribas, removeu Dias.
Segundo Góis, a Companhia de Terras tinha ''o controle territorial e político'', tudo dependia de sua ordem e orientação, ''a própria medicina era bastante cerceada pela política monopolista dos seus diretores'', que permitiam em seu hospital apenas os dois médicos por ela assalariados.
Para Joaquim Vicente de Castro, que deixou a Prefeitura em maio de 1935, a Companhia era ''imperialista'', não pagava impostos ao município e Thomas ainda pleiteava outras vantagens. Numa entrevista à FOLHA, Joaquim disse que, por causa dos atritos com Thomas, viu-se ameaçado pelo delegado de Polícia, Carlos de Almeida, mas saberia defender-se, caso fosse preciso, pois havia figurado entre os melhores atiradores do CPOR (unidade do Exército).
E a febre não cessou completamente em 1936; a notícia de sua persistência motivou a vinda do médico baiano Justiniano Clímaco da Silva para a cidade, em 1938, segundo seu relato ao CDM/AML. Foi designado para uma tarefa: usando o viscerótomo, tirava um pedaço de fígado de mortos há quinze ou vinte dias e remetia para exame. ''As famílias ficavam bravas! Eu acabei desistindo, o povo não era educado para isso''. (W.S.)





