Arquivo FolhaVítimasDigitadores são os profissionais mais afetados. Geralmente eles têm tenussinuvite, doença bastante prejudicial ao movimento de mãos e dedosComeçam a ficar comuns as chamadas doenças ocupacionais, principalmente aquelas decorrentes de lesões por esforços repetitivos. No Paraná, a Promotoria de Defesa da Saúde do Trabalhador já registrou 27 casos nos últimos cinco anos. Entre os mais afetados estão os digitadores, que normalmente contraem tenussinuvite, doença bastante prejudicial ao movimento de mãos e dedos.
A suspeita de doença ocupacional pode ser confirmada com um exame no Centro Metropolitano de Apoio à Saúde (Cemast), que emite a comunicação de acidente de trabalho em caso positivo. É daí que a Promotoria pede ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) a concessão do auxílio-acidente, benefício mensal e vitalício. Um processo de indenização contra o empregador também pode ser aberto.
A Promotoria passou a atuar de forma mais efetiva nesses casos a partir de 1992, em defesa da digitadora Margareth Leal de Miranda, de Curitiba, que contraiu tenussinuvite. Ela só conseguiu o auxílio-acidente do INSS três anos depois, por decisão da Justiça. Os promotores agora processam a empresa onde Margareth trabalhava para que a ex-empregada, em fase de reabilitação, seja indenizada.
Outra pessoa atendida pela Promotoria foi Lucila Antonieta Alves Banacchio, ex-caixa numa rede de supermercados de Curitiba, também por tenussinuvite. A ação foi iniciada há quatro anos. A sentença, favorável à trabalhadora, saiu no ano passado. A empresa acabou condenada a pagar 220 salários mínimos (R$ 26.400) por danos morais. Os prejuízos materiais vão ser calculados quando a decisão for confirmada no Tribunal de Alçada.
No caso de Lucila, a promotoria ainda entrou com uma ação contra o INSS para a concessão do auxílio-acidente. Por enquanto, só houve uma audiência no processo, realizada no dia 10 de junho. Está prevista uma perícia na ex-caixa para saber a gravidade da lesão. O laudo vai definir a data da próxima audiência.
Lesão - A lesão por esforço repetitivo, também chamada de L.E.R., ataca os músculos utilizados em uma atividade contínua e demorada. Trabalhadores de linhas de montagem, caixas registradoras, telefonistas, digitadores e etiquetadores de preços estão entre as vítimas frequentes dessa forma de doença ocupacional. O problema é geralmente causado por ritmo intenso de trabalho, excesso de serviço, falta de descanso, postura inadequada e móveis pouco funcionais.

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