Doença ligada ao emocional
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem local 
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial que está relacionada ao sedentarismo, à alimentação calórica e industrializada, mas também a questões glandulares e hormonais. De acordo com a psicóloga Suzy Cristine Santos, de Londrina, também contribuem para a obesidade o ciclo de vida, que pode ser o casamento, a perda de alguém querido, entre outras questões emocionais.
Conforme a psicóloga, a pessoa obesa tem características bem marcantes. ''Geralmente é muito ansiosa, cuida de todo mundo mas esquece de cuidar de si'', enumera. Para ela a ansiedade é um mal vivido pela grande maioria das pessoas e a vontade de comer tem seus significados. ''Algumas pessoas comem para preencher um vazio e outras pessoas para estar sempre mastigando. Nós descarregamos a nossa tensão na mastigação'', explica, completando que os dentes são presos por enervações e, durante a mastigação, são estimuladas regiões do cérebro que aliviam a tensão.
A psicóloga explica que algumas pessoas desenvolvem obesidade por excesso de cuidado com os outros. ''Vemos muito isso nas mulheres que trabalham fora, cuidam do marido, da casa, do filho e não têm tempo para cuidar delas mesmas. Comem o que der na hora que der'', observa. Suzy acrescenta que geralmente estas pessoas são controladoras e cuidam para que tudo ao seu redor esteja de acordo com o planejado. ''Muitas vezes a pessoa sabe que precisa emagrecer, mas se ela emagrecer precisará ter tempo para cuidar de si.''
A obesidade está diretamente ligada à baixa autoestima. É como num ciclo vicioso: a pessoa tem baixa autoestima porque está obesa e está obesa porque tem baixa autoestima. ''Às vezes a pessoa já tem um complexo de inferiodidade e engorda para justificar, por isso encontramos muitos obesos que tem um quê de depressão'', explica.
A psicóloga afirma que a obesidade e a forma do corpo têm muito a ver com a questão psicológica e com a imagem inconsciente que o paciente transmite às outras pessoas. Estas questões são trabalhadas em terapia com aquele que se dispõe a emagrecer. ''Entendemos que algumas pessoas precisam mostrar uma aparência de corpo forte porque dá ideia de poder; tem pessoas que pensam que se emagrecerem não serão mais respeitadas'', exemplifica. Ela diz ainda que há pessoas que escondem a sexualidade atrás da obesidade, outros escondem a imaturidade. ''O corpo obeso é um corpo roliço, um corpo de bebê. Estas questões ficam no inconsciente'', destaca.
Oportunistas
A obesidade é uma doença considerada psicossomática e está ligada a outras doenças oportunistas, como hipertensão, diabetes, dores na coluna e joelho, depressão, apneia - que está ligada ao quadro de irritabilidade por conta da dificuldade de respirar. ''A pessoa obesa é sempre estressada, ligada, ansiosa e parece que não dá conta'', diz.
A psicóloga afirma que se a pessoa não estiver preparada e organizada para emagrecer, até consegue iniciar o processo com alimentação adequada e atividade física, mas em grande parte das vezes desiste. ''Entram na dieta mas na primeira abandonada engordam tudo de novo'', observa, recomendando um ''tratamento completo''. ''Quando se decide emagrecer é necessário começar com terapia, fazer um acompanhamento para orientá-lo e ele saber das consequências que terá se sair da linha. O paciente precisa entender que obesidade é doença crônica, então não tem milagre e é necessário mudar o estilo de vida'', ressalta.
Conforme Suzy, a terapia ajuda o paciente a se conhecer, a saber se quando está ansioso ou frustrado come mais ou menos. ''Tem gente que acha errado fazer seis ou sete refeições ao dia, mas não vai emagrecer se não fizer'', afirma. Ela disse que vários aspectos são trabalhados para a pessoa entender o universo da obesidade. ''Os pacientes precisam entender por que cuidam de todo mundo mas não cuidam deles mesmos. Se eles entendem o que acontece, conseguem seguir o tratamento''.


