Doença inflamatória crônica que afeta mais mulheres
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Reportagem Local 

O lúpus é uma doença autoimune, que afeta o sistema de defesa do organismo e faz com que o sistema imunológico do paciente comece agir de maneira irregular. De acordo com a SBR (Sociedade Brasileira de Reumatologia), no Brasil existem aproximadamente 65 mil portadores de lúpus. O lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém as mulheres são muito mais acometidas. No Brasil, acredita-se que uma a cada 1.700 mulheres tenha a doença. Esta enfermidade é inflamatória e crônica e não tem cura. Os sintomas podem surgir em vários órgãos de forma lenta e progressiva. Nesta quinta-feira (10) foi celebrado o Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus.
A doença ganhou mais repercussão nas últimas semanas ao ser abordada na supersérie da Globo "Onde Nascem os Fortes". A personagem da atriz Lara Tremourox convive com a doença e o sofrimento dela e da mãe dela no folhetim, Débora Bloch, é muito bem retratado.
"O corpo do paciente que convive com o lúpus não consegue criar essa defesa do organismo e isso provoca uma inflamação crônica em vários órgãos. O cabelo começa a cair, passam a pipocar manchas e irritações na pele, o cansaço e o desânimo aumentam, assim como os gânglios. O paciente ainda pode apresentar febre, artrite com derrame na articulação, derrame pulmonar ou pericárdico e até convulsões", alerta a reumatologista Mayara Silveira, de Londrina.
O preconceito também afeta os portadores da doença. O mito do contágio prejudica relações e atrapalha o tratamento. "É preciso deixar claro que a doença não é contagiosa. Ainda há muito preconceito quanto a isso e os pacientes sofrem. Precisamos desmistificar esse tema", ressalta Silveira.
Segundo a especialista, o tratamento do lúpus consiste na tentativa de reduzir a autoimunidade do corpo e as inflamações que ela causa. "Mas além da medicação, é preciso promover algumas mudanças nos hábitos dessas pessoas. Mudanças alimentares, a inclusão de exercícios físicos e a reposição de vitaminas, principalmente a D", recomenda.
PROTEÇÃO E ALIMENTAÇÃO
A reumatologista conta que na rotina de um portador da doença, as consultas ao médico precisam ser frequentes para a realização periódica de exames e medir os efeitos da medicação. "O paciente também precisa controlar a exposição solar e a radiação UV, que pode ser um desencadeante da doença. Os raios ultravioletas podem fazer aparecer novas lesões na pele", explica. "O que recomendo é que utilizem protetores solares no mínimo de fator 30 ao sair à rua, mesmo em dias nublados. Na praia ou piscina, a mesma recomendação. Reaplique a cada duas ou três horas, com antecedência de 15 a 30 minutos antes da exposição ao sol. Usar óculos solares, chapéu e optar pela prática de esportes no começo da manhã e no fim da tarde", acrescenta.
Como as medicações podem aumentar o colesterol, o peso, os eletrolitos e a glicose, a dieta precisa ser bastante regrada e aliada aos exercícios regulares. O uso de contraceptivos precisa ser bem planejado juntamente com o médico. Fumar e beber nem pensar.


