Brasília - O alzheimer é uma doença incurável, mas que tem tratamento. Ele é instalado no organismo quando as proteínas do sistema nervoso central não são processadas corretamente. Além da dificuldade com a perda da memória recente, também acontecem alterações neuropsiquiátricas, como problemas no sono, apatia, sintomas depressivos. Os tratamentos são utilizados para preservar as funções intelectuais do paciente, retardar a evolução da doença e assim proporcionar conforto e qualidade de vida para quem tem alzheimer.
O estágio inicial da doença é caracterizado por leves alterações de memória e nas habilidades visuais do paciente. Na fase moderada, começam algumas dificuldades para falar e para realizar movimentos e tarefas simples. Já o estágio considerado grave acontece quando o paciente mostra resistência para realizar tarefas rotineiras, presença de mutismo (ausência de linguagem voluntária ou não) e há nítida deficiência motora, que é progressiva.
Por recomendação médica, é necessário ter um acompanhamento do progresso da doença, para que os sintomas sejam avaliados e, assim, verificar se o tratamento dá ou não resultados em cada paciente.
Segundo a Coordenadora da Área Técnica de Saúde do Idoso do Ministério da Saúde, Maria Cristina Hoffman, o rastreamento para a descoberta da doença deve incluir avaliação de depressão e exames de laboratório. "É muito importante que, durante as avaliações de acompanhamento, em especial às pessoas idosas, realizadas pelos profissionais das unidades básicas sejam iniciadas também as investigações, lançando mão de encaminhamentos para outros pontos de atenção com vistas ao aprofundamento da avaliação, quando necessário", afirma a coordenadora.
Ainda de acordo com Maria Cristina, a identificação da presença de deficits em duas ou mais áreas cognitivas, síndrome demencial e piora progressiva da memória, entre outros, são critérios de provável alzheimer e devem ser investigados e diagnosticados.

Atividades
Para o coordenador do Programa de Cinesioterapia Funcional e Cognitiva para Idosos com Doença de Alzheimer – PRO-CDA da Unesp-Rio Claro, o médico e professor José Luiz Riani, a prática de exercícios físicos regulares pode ajudar no tratamento do alzheimer e na diminuição de alterações neuropsiquiátricas. Já para quem não tem a doença, os exercícios físicos podem retardar em até 50% o seu desenvolvimento.
Segundo Riani, é importante incentivar a prática de exercícios físicos como musculação, caminhada, dança, aeróbicas, bicicleta, entre outros. Para ele, "é importante adequar à rotina do idoso alguma atividade que ele se sinta bem, que esteja apto e sempre acompanhado de um profissional".
O médico informa ainda que realizar regularmente atividades físicas faz com que haja também a prevenção de quedas e machucados, que caso aconteçam, podem contribuir para o progresso da doença e atrapalhar a melhora com os tratamentos.
O Projeto de Extensão desenvolvido no Departamento de Educação Física da Unesp-Rio Claro, coordenado pelo médico José Riani, envolve uma equipe multidisciplinar com profissionais das áreas de Medicina, Fisioterapia, Psicologia e Educação Física em pesquisas sobre Alzheimer e outras doenças.

Fatores de risco
A idade é um dos principais fatores de risco para o alzheimer. A partir dos 65 anos de idade, a tendência a ter a doença é grande. Já depois dos 85 anos de idade, o alzheimer atinge de 30% a 40% da população. Segundo o médico e pesquisador José Riani, o diagnóstico precoce é essencial para que o tratamento seja iniciado o quanto antes.
Não foram descobertas ainda as causas da doença, mas sabe-se que há um maior risco em pessoas que tenham histórico familiar de alzheimer ou outras doenças chamadas demências neurodegenerativas. Sendo assim, quem já teve casos de demência ou problemas neurológicos na família deve ficar atento e realizar exames preventivos.
De acordo com a Área Técnica de Saúde do Idoso, estudos mostram que a porcentagem da doença duplica a cada cinco anos, a partir dos 65 anos de idade. Segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), existe aumento da prevalência da doença em mulheres, o que pode ser atribuído ao fato de que elas vivem mais que os homens. Pessoas com síndrome de down também têm mais chances de serem acometidos pelo alzheimer.

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