Doença fez Lecy dormir 5 anos
Doença fez Lecy dormir 5 anos
Para a mãe da Bela Adormecida Lecy Suzana Garcia, Rosa Sipoli Garcia, 83 anos, o fato do povo pedir graças à filha não a incomoda. Eu nunca procurei fazer isto parar porque acho que cada um tem sua crença e a gente deve respeitar. Se faz bem para eles rezar no túmulo da minha filha, por mim tudo bem. Mal não vai fazer e orações sempre são boas, diz.
Segundo dona Rosa, a lenda da Bela Adormecida começou em 1957, quando Lecy tinha apenas 17 anos. Um dia, ela se queixou de dormência no braço esquerdo e um mês depois ela entrou em coma. Levamos em vários médicos daqui e de São Paulo mas ninguém disse com certeza o que era que ela tinha. Na época, falaram que podia ser uma encefalite à vírus. Este foi o diagnóstico que ficou, conta.
Segundo ela, o caso de sua filha despertou atenção de vários jornais e revistas da época. Um jornalista daqui apelidou ela de Bela Adormecida. E um outro, Hélio Siqueira, da revista Manchete, acompanhou o caso dela quando a levamos para São Paulo. Tudo que se relacionava a Lecy ele publicava, diz, mostrando recortes da época.
Segundo ela, o caso de sua filha surpreendeu muita gente. Os exames chegaram a ser encaminhados para o Canadá e a então União Soviética. Ela na verdade não estava em um coma profundo. Até reagia quando falávamos com ela, balbuciava alguma coisa. Nos cinco anos que passou na cama, o organismo dela funcionava perfeitamente, até engordou, conta a mãe. A morte súbita de Lecy causou surpresa na própria família. Um dia, ela simplesmente passou mal. Não deu nem tempo de socorrer. Morreu na porta da Santa Casa, conta.
Para dona Rosa, talvez a doença incomum e a morte repentina tenham contribuido para a fama de milagreira da filha. Mas esta coisa de dizer que ela dormiu por desgosto porque eu teria proibido seu namoro nem tem nenhum fundamento. Ela estava noiva, sim, mas eu estava até ajudando a fazer seu enxoval, afirma. (T.E.)





