Doença é alvo de preconceito
Silvana Leão
De Londrina
Os problemas causados pelo Distúrbio Ósseo-muscular Relacionado ao Trabalho (Dort) são cada vez mais comuns nos ambientes de trabalho e causam grande transtorno na vida da pessoa lesionada. Mesmo assim, a doença chamada até pouco tempo atrás de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ainda é vista com desconfiança entre patrões e colegas de trabalho.
Estes e outros temas serão discutidos durante o 1º Seminário sobre Lesões por Esforços Repetitivos dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Norte do Paraná, que acontece nos próximos dias 10 e 11 no auditório da Supercreche (Cidade da Criança), em Londrina. O evento será promovido por vários sindicatos ligados à CUT e dirigido a várias categorias profissionais, como bancários, professores e jornalistas.
Os casos de Dort sempre existiram entre profissionais que exercem movimentos repetitivos, como artesãos e sapateiros, mas se intensificaram na década de 80, com o uso da informática e com as novas formas de divisão do trabalho. O médico fisiatra Éden Dal Molin, que foi coordenador do setor de acidentes de trabalho do Inamps em Londrina durante 10 anos, lembra que a mudança da sigla de LER para Dort ampliou o público-alvo da patologia.
Mesmo assim, 70% dos casos são registrados entre digitadores e profissionais que usam o computador com exigência de produtividade. Os caixas de banco, segundo o médico, são o principal alvo da doença.
Assim como a aceitação da Dort ainda esbarra em preconceitos, o seu diagnóstico não é algo simples. Exige análise médica, levantamento da história clínica do paciente e estudo da evolução da doença, além de levantamento das características do local e do trabalho em si. Algumas patologias, como cisto sinovial e hérnia de disco, podem tanto existir isoladamente em quem não tem Dort como ser uma característica da patologia. Por esta e por outras, a aceitação da patologia não é unanimidade nem entre a classe médica.
Segundo Molin, na maior parte das empresas não há conscientização que resulte na adequação de móveis e equipamentos, uma das medidas preventivas indicadas. Os empresários também precisam aceitar que a produtividade humana tem limite, alerta o médico.
O professor de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Alexandre Bonetti Lima, vai falar durante o seminário sobre Impactos psicossociais da LER na vida cotidiana do lesionado. Ele lembra que o reconhecimento da doença ainda é recente no Brasil e ainda causa muitos questionamentos quanto à veracidade do problema. Enquanto isso, o paciente sofre com sintomas como fortes dores, dificuldade de movimentos finos e perda de força, principalmente nos membros superiores.
Isto gera uma situação muito angustiante, que dificulta a aceitação e entendimento até pela própria pessoa, afirma o professor, lembrando que a doença limita bastante a vida do paciente. Em alguns casos, o simples ato de levantar um copo dágua ou pentear os cabelos torna-se um grande desafio.





