Um tipo de doença canina parecida com a febre maculosa está atacando cachorros em Londrina e preocupando especialistas na área de saúde porque pode atingir seres humanos. A informação é do veterinário Adonai Bruno, que tem atendido, em média, cinco animais com a doença por semana no consultório dele. A Vigilância Sanitária, no entanto, informa que nenhum caso foi notificado na cidade desde o início do ano.
O vetor de transmissão da doença é o carrapato. A diferença em relação à febre maculosa é o tipo de bactéria. A erliquiose é causada pela Erlichia canis, mas os sintomas nos cães são semelhantes. O problema é que a enfermidade também pode atingir o homem, que pode apresentar falta de apetite, prostração, sangramentos, anemia grave e até morrer.
A presença de carrapatos no cachorro da família não chamou a atenção do empresário Ricardo Brunelli. Quando Vulcão, o boxer dele, apareceu com alguns parasitas, ele não se preocupou e nem tomou nenhuma medida imediata. O animal só foi levado ao veterinário quando o dono percebeu que o bicho praticamente não movia as patas de trás. Mesmo com o tratamento feito com antibióticos e vitaminas, em dez dias o cachorro estava morto.
''Aparentemente, ele não estava com nenhum sintoma diferente e eu não associei a presença dos carrapatos com nenhuma doença. Me sinto culpado porque só percebi quando era tarde demais'', lamentou.
De acordo com Adonai Bruno, a melhor forma de prevenir a doença é evitar a proliferação dos parasitas. ''Qualquer cão com muitos carrapatos pode tornar-se um foco de doenças'', disse. Por isso, acrescenta, é importante que os donos cuidem bem de seus animais de estimação.
Também é importante, frisa, que o poder público faça sua parte, já que existem muitos animais soltos pela cidade. ''A erliquiose está tendo uma prevalência alta nos cães. E existem estudos que mostram que a erquiliose pode até matar o ser humano. Há casos escritos relatando isso'', afirmou.
Outra maneira de impedir a proliferação dos parasitas é manter limpos os terrenos baldios. Com a constatação da doença no animal de estimação, o bicho precisa ser medicado e o ambiente passar por um processo de desinfecção.
O veterinário Bruno enfatizou que a implantação de um centro de zoonoses na cidade seria a melhor forma de controlar a disseminação de animais de rua e, consequentemente, reduzir o número de carrapatos, o que poderia amenizar o problema.
A Vigilância Sanitária informou que não recebeu nenhuma notificação de erliquiose nos últimos tempos. A gerente da Vigilância Epidemiológica, Sônia Fernandes, ressaltou que a higiene dos bichos é a principal forma de combater as doenças deste tipo.
''Se o animal não tiver carrapato, a doença não vai chegar no ser humano. E não só os bichos de estimação preocupam, mas também os animais silvestres. Cavalos e bois que andam soltos pelas ruas também inspiram cuidados'', destacou.
No início do ano, Londrina teve três casos notificados de suspeita de febre maculosa, enfermidade também provocada por bactéria e transmitida por meio de carrapatos. No entanto, não houve nenhuma confirmação. A reportagem entrou em contato com o Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas foi informada que nenhum profissional poderia prestar esclarecimentos sobre a incidência da doença em Londrina até o fechamento da edição.

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