Doença das pombas faz mais uma vítima
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terça-feira, 07 de julho de 2009
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Há menos de um mês da morte do serralheiro Márcio Kovaleski, 40 anos, vítima de criptococose, mais um caso de contaminação pela doença dos pombos foi registrado na cidade. O enfermeiro Valdinei Roxadelli, 31, morador de Cambé (Norte), teve o diagnóstico de meningite criptococócica confirmado no último dia 30 e permanece internado na Santa Casa de Londrina, onde deve ficar por pelo menos um mês.
Apesar da gravidade da doença, o paciente aparenta tranquilidade quanto ao seu quadro. Estou bem, principalmente agora, que estou tomando todas as medicações. Já não sinto mais tanta dor de cabeça, comentou Roxadelli na sala de visitas da Santa Casa. Segundo ele, apesar de circular bastante por Londrina, a região do Bosque Central, onde há maior concentração de pombas, é um dos pontos que ele menos frequenta. Não tenho costume de andar a pé no Centro. Quando passo por ali estou sempre de carro. Não faço ideia de onde posso ter me contaminado, disse.
O paciente afirmou que vez ou outra costuma passear em parques como o Arthur Thomas, mas ainda assim não se recorda de ter começado a passar mal após frequentar algum desses lugares. Ele lembra que os sintomas começaram há cerca de um mês, quando passou a sentir dor de cabeça forte, tonturas e febre. Somente 15 dias depois de tomar vários medicamentos e diante da persistência das dores foi que Roxadelli fez o exame de coleta de liquor e então constatou-se a doença.
Infectologistas explicam que a criptococose tem como principal agente um fungo muito comum nas fezes dos pombos e também na natureza, principalmente nas cascas de algumas árvores. Ela pode comprometer o pulmão e o sistema nervoso, e é conhecida por se tratar de uma doença inalatória de difícil contaminação e bastante rara, que atinge, principalmente, pessoas que estão com a imunidade muito baixa. Apesar disso, o enfermeiro apresentava boa saúde antes de adquirir a doença.
Além do enfermeiro e do serralheiro que não resistiu à doença, um outro paciente infectado pela criptococose foi internado em Londrina no mês de março e permaneceu por cerca de três meses no Hospital Mater Dei. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, tratava-se de um homem de aproximadamente 30 anos, morador de Ibiporã (Norte), que recebeu alta no dia 23 de junho.
O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian disse que não há motivo para a população de Londrina se alarmar porque, segundo ele, a pomba não é o único meio de transmissão da doença. O caso desse rapaz é realmente um pouco interessante porque ele estava bem, mas cada organismo reage de uma forma e é praticamente impossível conseguirmos descobrir se foi aqui em Londrina que ele se contaminou, até porque ele mora em Cambé e passa boa parte do tempo lá, comentou.
A superpopulação de pombos, principalmente no Centro, é um problema que incomoda os moradores há anos. A professora Valdira Rodrigues Mignoni cobra a boca e o nariz com um lenço quando atravessa o Bosque. Eu não suporto o cheiro que é muito forte.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Carlos Levy, informou que, entre as medidas para o controle da população, está a instalação de dois aparelhos sonoros na Área Central. Daqui a 15 dias teremos como constatar, pela quantidade de fezes, se o aparelho está dando resultados, disse.


