Doença atinge 60% da população brasileira
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sábado, 15 de junho de 2002
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Pelo menos 60% da população brasileira está infectada com toxoplasmose. Algumas regiões, como a de Erechim (RS), chegam a ter 80% da população infectada. Essa é a estimativa do médico veterinário e chefe do Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina, Italmar Navarro.
O veterinário foi um dos responsáveis pelo exame de animais na região de Santa Isabel do Ivaí, onde gatos infectaram um dos reservatórios de água da cidade, contaminando centenas de pessoas.
Segundo Navarro, uma vez infectada, a pessoa será portadora da doença para o resto da vida. A contaminação pela toxoplasmose, principalmente pelo consumo de carne crua ou mal cozida, pode passar despercebida. Eu posso comer essa carne, ser infectado, ter um quadro clínico que pode simular uma gripe, com dores musculares, e passar despercebido. Em qualquer intercorrência (stress, uso de corticóides) futura, a doença pode ser reagudizada e muito grave, alertou.
Além disso, a toxoplasmose pode comprometer a saúde de bebês, filhos de mães infectadas. Estamos lutando há anos para que se implante a rotina de sorologia nos postos para todas as gestantes. A grande preocupação é passar a doença para os bebês, que podem nascer com anomalias muito graves, ou vir a manifestar lesões nos olhos ou neurológicas no futuro.
A prevenção da doença com o consumo de carnes, principalmente bovina, ovina e suína, é ainda mais difícil, se for considerado que pelos menos 30% do rebanho nacional está infectado. Qualquer tipo de carne crua ou mal cozida é perigosa. No caso da linguiça artesanal, a recomendação é que seja cozida e depois frita para que haja a morte do ovo do parasita presente na carne. As verduras e frutas devem ser muito bem lavadas recomendou Navarro.
Conforme o veterinário, o gato é um dos principais agentes de contaminação no âmbito doméstico. Segundo ele, somente o gato consegue eliminar os ovos do parasita pelas fezes, outras espécies de animais, não. Navarro orienta ainda que, ao recolher fezes de gato, deve-se ou jogá-las em uma fossa, ou no vaso sanitário, ou enterrar em um lugar que não tenha perigo. É preciso evitar também que o gato entre em hortas porque ele adora fazer necessidades nos canteiros. Com a contaminação da horta e do solo, os ovos podem persistir até dois anos, alertou.


