Doença ainda é pouco conhecida
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quarta-feira, 18 de dezembro de 1996
Da Redação 
A luta da presidente da Associação de Proteção ao Autista (APA), Iriné Pereira Lima, começou há dez anos, apesar de a entidade ter sido fundada há sete. Ela é mãe de três filhos. Um deles, Júlio César, 25 anos, é autista.
Segundo Iriné Lima, as dificuldades enfrentadas por familiares de pessoas autistas são muito grandes, principalmente porque a doença é pouca conhecida até mesmo dentro da Psicologia. A primeira citação foi feita pelo psicólogo americano Leo Kanner, em 1943.
Ela comenta que descobriu que Júlio César era autista quando ele estava com nove anos - antes disso ele chegou a ser tratado como deficiente mental -, depois de ler uma reportagem sobre a doença e assistir a um filme chamado Meu Filho, Meu Mundo. Eu percebi que as características da criança do filme eram muito parecidas com as características do meu filho.
A professora de ginástica passou a levar o menino para tratamento junto a uma das maiores autoridades brasileiras sobre autismo, o psicólogo Ivan Capelato, de Campinas (SP). Depois que começou a receber atendimento específico, o filho apresentou grande melhora, ressalta Iriné Lima. Hoje, apesar de Júlio César ter 25 anos, ela continua chamando-o de criança. E comenta: Para mim, ele é uma criança muito especial.
O médico Paulo Nassar, da Clínica das Palmeiras e professor do Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon), diz que o autismo é uma psicopatologia de origem indefinida dentro da ciência médica. Ele acredita que o problema apareça a partir de um componente afetivo mal trabalhado durante a infância.
Paulo Nassar explica que a doença surge na infância e o autista tem uma tendência enorme para se desinteressar do mundo exterior. O médico observa que as características são muito diferentes de paciente para paciente. Não há um padrão único, afirma Nassar.
É comum, segundo ele, que o autista apresente habilidades que não são comuns nas pessoas normais, como memória aguçada e malabarismo. Iriné Lima comenta que o personagem do ator Dustin Hoffman, no filme Rain Man, retrata muito bem uma pessoa afetada pelo autismo.
(Adriana De Cunto)


