Sucursal de Curitiba

Albari RosaHistóriaA pesquisadora Maria Luiza Andreazza no escritório de seu apartamento, em Curitiba, onde estuda o comportamento social dos paranaenses: curiosidadesDocumentos encontrados na Cúria Metropolitana de São Paulo por pesquisadores do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná vão resgatar aspectos da história do Paraná ainda não explorados. Os documentos inéditos contêm informações sobre processos matrimoniais, crimes, testamentos e divórcios ocorridos no Paraná nos séculos XVIII e XIX.
‘‘A análise dos documentos vai permitir aos historiadores conhecer a vida dos jovens, ritualização do casamento, sexualidade e atitudes perante a vida das pessoas que viveram no Paraná naquele período’’, explica a professora do Departamento de História, Maria Luiza Andreazza, uma das coordenadoras da pesquisa na Cúria Metropolitana de São Paulo.
A pesquisa das professoras Maria Luiza e Etelvina Trindade se restringe à documentação eclesiástica sobre a vida familiar até a emancipação da comarca do Paraná da província de São Paulo, em 1853. ‘‘Naquela época o tema familiar era de jurisdição da igreja, que exercia maior poder e influência na sociedade’’, afirma Maria Luiza.
Um dos aspectos relevantes encontrados nos documentos é o número de processos de divórcio - sete nos séculos XVIII e XIX. ‘‘Deve ter sido um fato escandaloso, já que a sociedade da época era normatizada pelo princípio de casamento da Igreja Católica’’, ressalta.
A maioria dos divórcios foi pedida por mulheres, que reclamavam de espancamento. Quatro processos de divórcio foram encontrados em Curitiba. Os outros foram em Castro, Lapa e Ponta Grossa.
Maria Luiza não tem ainda muitas informações sobre os processos. Ela não sabe o nome das pessoas que pediram o divórcio. Mas adianta que deveriam ser pessoas ricas, uma vez que os custos dos processos de divórcio eram muito altos. A professora não tem certeza de que os divórcios foram concedidos. ‘‘Se houve registro, provavelmente ocorreu a separação’’, assegura.
Segundo a professora, o concubinato também era muito frequente na época. Nas certidões de nascimento, a designação filho natural mostra que a criança nasceu de uma relação de concubinato. Os filhos de pais casados segundo as normas da igreja eram registrados como filhos legítimos. No segmento de processos criminais, a pesquisadora encontrou um caso de prática de bruxaria em Paranaguá. O Departamento de História não tem ainda mais informações sobre este caso.
Outros crimes verificados nos processos relacionam-se com prisão de padres, absolvição de excomunhão, cópula carnal ilícita (relação sexual antes do casamento) e preços abusivos cobrados pelos padres na confissão.
Os documentos encontrados no arquivo D. Leopoldo Duarte mostram ainda processos de esponsais (compromisso de casamento futuro, como o atual noivado), testamentos e autos cíveis - litígio de terra, reconhecimento de paternidade e dívidas. ‘‘Nos testamentos, verificamos como as pessoas expressavam o pedido de salvação a Deus’’, afirma Maria Luiza.

mockup