Curitiba Documentos e degravações de fitas cassetes com conversas telefônicas gravadas com autorização judicial reforçam, segundo o Ministério Público (MP), a tese de que o delegado Fauze Salmen ex-presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná e seu filho Kamil Salmen sejam os verdadeiros sócios de uma casa de shows para executivos, no Batel, em Curitiba.
Entre os documentos anexados ao dossiê com 200 páginas encaminhado para a Promotoria de Investigações Criminais (PIC), vinculado ao MP, está um pedido de orçamento feito em uma empresa de iluminação. A nota, do dia 11 de setembro de 2002, aponta como cliente uma pessoa identificada como ''Sr. Kamil''. A obra seria realizada no Sahara Caffé, a casa de shows investigada. O departamento financeiro da empresa informou que como não foi feita a venda, não existe nota fiscal. Portanto, era impossível precisar o nome completo do solicitante.
A reportagem ligou para o telefone que consta no orçamento, e se trata da casa de shows. O atendente negou que havia uma pessoa chamada Kamil. Mas, antes de desligar, perguntou se não queria deixar recado. ''Pode ser alguém da noite'', justificou.
O promotor Dicesar Augusto Krepsky disse que está analisando toda a documentação e deve começar a ouvir os supostos envolvidos em breve. Ele reafirmou que Fauze e Kamil são os principais alvos da investigação. Caso as denúncias sejam comprovadas, os policiais serão denunciados por favorecimento à prostituição e rufianismo recebimento de dinheiro através da comercialização do trabalho de prostitutas.
A casa nunca esteve no nome de alguém da família Salmen. Ela pertencia a duas pessoas, classificadas pelo MP como ''laranjas''. Há dois meses, o local teria sido vendido para um grupo de libaneses.
O delegado negou, em entrevista à Folha, que tenha participação administrativa na casa de shows. ''Se tiverem provas, que me levem preso.'' O advogado do investigador, Cláudio Dalledone Júnior, também negou ligação de seu cliente com o Sahara Caffé. ''Pode até ter sido um frequentador do local, mas não é dono'', enfatizou. Quanto ao orçamento da empresa, ele não quis se manifestar. ''Não tenho o dossiê (do MP) em mãos. Quando tiver, todas as respostas serão dadas.''

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