Documento obtido pela Folha prova que o ex-vice-prefeito de Cascavel, Hostílio Lustosa (PSDB), tinha conhecimento de sua nomeação pela Secretaria Estadual de Educação como inspetor de ensino, em abril do ano passado. No início da semana, Lustosa confirmou que recebeu salário durante onze meses sem trabalhar.
A justificativa do ex-prefeito era de que o salário – de aproximadamente R$ 300,00 mensais – era uma forma de compensação política pela ‘‘assessoria’’ que ele prestava ao escritório, de Cascavel, do deputado Antônio Carlos Baratter (PSDB). O partido integra a base de sustentação do governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa.
Lustosa disse que estava à disposição da Casa Civil do governador e nunca pediu para ser nomeado para a função de inspetor de educação. Mas assinou, em 9 de abril de 99, seu termo de posse no cargo. No documento, ele assume ‘‘a promessa legal de bem servir o Estado’’. Além dele, assinaram o termo de posse a secretária da Educação, Alcyone Saliba, e o então diretor-geral em exercício da secretaria, Laureni Martins Teixeira. Lustosa foi nomeado pelo decreto 0553, do dia 8 de abril.
O chefe da Casa Civil, Cid Campêlo, alegou que o governo não sabia que Lustosa era um funcionário ‘‘fantasma’’. Campêlo disse que o governo vai ingressar com uma ação judicial para que Lustosa seja obrigado a devolver o dinheiro que recebeu até sua exoneração, em 30 de março deste ano. O caso também está sendo investigado pelo Ministério Público.

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