Um documento obtido pela Folha prova que a Operação Condor vigiava opositores das ditaduras sul-americanas mesmo fora de seus países. Um informe produzido pelo Departamento de Segurança da Rede Ferroviária Federal (RFF) em fevereiro de 1972 relatava a passagem do brasileiro Aluizio Ferreira Palmar por Assunção, capital paraguaia.
Fluminense de Niterói, Palmar foi militante do PCB até 1965. Naquele ano, parte da esquerda optou pela luta armada. Palmar foi um dos fundadores do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Preso em 69, foi banido para o Chile em 71. Em 72, voltou clandestino ao Brasil, para ajudar na organização da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Viveu na clandestinidade durante oito anos, entre Brasil, Chile e Argentina.
O informe sobre Palmar remetido aos órgãos de segurança brasileiros relatava que ele – então escondido em Posadas, na Argentina – fora visto em Assunção. Afirmava ainda que a mulher e a filha dele estavam morando em Foz do Iguaçu.
‘‘Esse informe é a prova de que todo o aparelho dos países envolvidos era usado na repressão. Eu nunca viajei de trem e o relatório sobre as minhas atividades foi produzido pela empresa ferroviária brasileira, que não tinha entre suas atividades a função de segurança’’, espanta-se Palmar, hoje com 57 anos. Jornalista, ele exerce o cargo de secretário de Comunicação Social da Prefeitura de Foz do Iguaçu, administrada pelo pepebista Harry Daijó. (V.D.)

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