Documento preocupa diretora do Fórum, que pede inquérito
Documento preocupa
diretora do Fórum,
que pede inquérito
COMANDO DO PARANÁVista área da PEL, onde foi encontrado documento sobre a organização dos presos; no detalhe, a juíza MaejimaAssim que tomou conhecimento da existência de um estatuto do Primeiro Comando do Paraná, na última quinta-feira, a diretora do Fórum de Londrina, juíza Lídia Maejima, requisitou ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, a instauração de inquérito policial para investigar o caso. Ela foi informada do caso pelo juiz-corregedor Roberto do Valle, que também recebeu o documento na quinta-feira.
Além de pedir abertura de inquérito, Maejima convocou reunião extraordinária com todos os juízes e promotores do Fórum para comunicar a existência do estatuto. A principal preocupação, segundo ela, é o parágrafo 4º do documento, que prevê o sequestro de autoridades. A juíza também encaminhou ofício comunicando o caso ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar, à Secretaria de Segurança Pública, ao presidente do Tribunal de Justiça e ao desembargador-corregedor de Justiça.
Todas as providências foram tomadas. Acho que a gente nunca deve subestimar nada, afirmou a diretora do Fórum. Ela observa que a repressão ao crime organizado tem sido rigorosa em estados como o Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás e, por isso, os marginais podem estar tentando procurar novos centros para agir. A preocupação deve ser não só com as pessoas que estão dentro das prisões como também com os marginais que possam estar vindo para o Paraná, ponderou. Estamos atentos para essa situação e acho que as polícias do Estado também estão.
O juiz-corregedor Roberto do Valle também considera que o comando pode ser o início de uma organização criminosa dentro das penitenciárias, a exemplo do que ocorre no Rio e em São Paulo. Mas, em primeira análise, não vê seriedade do movimento. Não sei até que ponto isso tem fundamento. Se fala em ajuda à família de preso, cestas básicas, outras coisas que dizem mais respeito ao preso do que a nós, pondera o juiz. Além disso, ele disse estranhar que um estatuto de uma organização supostamente séria pudesse ser apreendido numa revista normal dentro da penitenciária.
O juiz-corregedor também não acredita em ações mais violentas do movimento, como sequestro de autoridades. Lógico que a gente se previne. Mas nunca ouvi falar em algum sequestro que tenha visado liberação de preso, destaca. Nem o Comando Vermelho, que é a organização mais perigosa do País, faz isso. Sobre a pena de morte, comenta que isso já existe entre as quadrilhas de criminosos. Como exemplo, cita alguns crimes insolúveis em favelas de Londrina que podem ser motivados por vingança ou queima de arquivo.
Roberto do Valle confirma também que o autor do texto provavelmente tenha sido o paulista de nome Misael, transferido recentemente para Curitiba. Este preso, que tem mais de 240 anos de pena, foi um dos líderes num motim organizado na PEL no final de junho deste ano. Ele já veio para cá porque era líder em São Paulo, lembra.
Sobre as medidas a ser tomadas por conta do movimento, Roberto do Valle afirmou que a PEL deve prosseguir com as normas de segurança atuais, evitando sobretudo o contato dos presos com a comunidade externa (descontando as visitas habituais). No dia 9 de julho, por exemplo, durante uma revista geral, um aparelho de telefone celular foi encontrado numa das celas da PEL, escondido dentro da caixa de um aparelho de televisão. (L.H.)





