Mauricio Della Barba
De Londrina
Documento enviado ontem à Câmara de Vereadores de Londrina pode levar a Comissão Especial de Inquérito (CEI), que apura todos os órgãos da administração direta de Londrina, a apressar as investigações sobre a Sercomtel S.A..
O documento, de cinco páginas, informa uma possível compra de programa de computador, no valor de R$ 274.460,00 feita sem licitação, e que favoreceria as empresas Oracle-KPMG.
Alguns vereadores desconfiam da autenticidade do documento, remetido anonimamente, e que traz além do logotipo da própria Sercomtel a assinatura do diretora-administrativo da empresa, Waldmir Belinati.
Tanto Waldmir quanto o presidente da Sercomtel S.A., Rubens Pavan, não foram encontrados ontem para confirmar a veracidade do documento.
A compra do programa sem a abertura de licitação é justificada no documento através de uma posição levada em reunião pelo diretor vice-presidente da empresa, Paulo Cezar da Silva Machado, na qual informa que ‘‘o sócio Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica) quer a implantação do Balanced Scorecard (nome do programa de computador) em todas as empresa que possui participação’’.
Waldmir contesta a vontade da Copel, citando a Lei 8.666/93, que veda os agentes públicos incluir preferências de licitantes.
Outro trecho do documento ainda informa que ‘‘os objetos a serem adquiridos não são exclusivos do fornecedor em questão e há no mercado fortes concorrentes que oferecem as mesmas soluções’’.
‘‘O documento, se verdadeiro, aponta uma denúcia oficial de irregularidades na empresa. A Comissão Especial de Inquérito agora tem um elemento concreto para investigar o órgão’’, avaliou o presidente da Câmara, o vereador Renato Araújo (PPB).
Araújo disse que, a priori, reconhece a assinatura do documento como a de Waldmir. ‘‘A princípio me parece um documento oficial interno da própria Sercomtel. Porém, não posso garantir se houve falsificação’’.
O relator da CEI geral, o vereador Tercílio Turini (PSDB), vai propor que Waldmir Belinati e Rubens Pavan sejam ouvidos.
‘‘Acredito que, verídico ou não, o documento deve ser apurado’’, disse o vereador.
Ação Pública Três cidadãos londrinenses, César Augusto Bettinardi, Osvaldo Ferreira Motta e Elisabete de Souza, entraram ontem com uma ação popular, no Fórum de Londrina, para impedir a venda das ações restantes da Sercomtel S.A.
‘‘Controlando a venda, estaremos assegurando a integridade do patrimônio público’’, afirma o advogado Mauro Yamamoto, que representa os três.
A Sercomtel S.A teve 45% de suas ações vendidas à Copel no ano passado, em uma operação que resultou em R$ 186 milhões aos cofres municipais.

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