Um abaixo-assinado com mais de 5 mil assinaturas de moradores de Cambé (13 km a oeste de Londrina) e cidades vizinhas foi entregue anteontem pelo deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha, ao governo do Estado pedindo a reabertura do Hospital Londrina, desativado em novembro de 1997. Além do abaixo-assinado, com 214 páginas, o deputado também encaminhou um pedido de audiência ao secretário de Saúde, Armando Raggio, quando pretende solicitar uma solução para o problema.
‘‘Todos os dias, em todo o Estado, diminui o número de leitos nos hospitais, enquanto, por outro lado, aumenta a população. É catastrófica a situação de muitos pacientes, que ficam passeando de ambulância de uma cidade para outra à procura de vaga para internação’’, lembrou Rosinha, confiante em uma rápida resposta do secretário ao seu pedido de audiência.
‘‘É impossível que ele (o secretário) nos negue isso. Se ele o fizer, estará dando um ‘não’ à população, e não simplesmente ao deputado’’. Atualmente Cambé tem aproximadamente 100 mil habitantes e apenas um hospital que presta atendimento pelo SUS.
A audiência pública realizada anteontem na Câmara de Londrina para discutir a crise nos hospitais da Zona Norte (HZN) e Zona Sul (HZS) não foi suficiente para sensibilizar o Estado da necessidade de aumentar a verba repassada através de aditivo ao contrato entre governo e Conselho Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). Ontem, a Secretaria de Saúde do Estado não se pronunciou sobre o assunto. A assessoria de imprensa do órgão se limitou a pedir que a reportagem da Folha procurasse o presidente da Cismepar, Paulo Todero, para que ele esclarecesse a situação.
Todero disse acreditar que o governo do Estado não vai mesmo repassar os R$ 11 mil mensais que faltam para completar a verba de R$ 78 mil necessária para a manutenção dos serviços prestados pelos dois hospitais - no início do mês a Secretaria de Saúde concordou com um aditivo ao contrato entre governo e Cismepar, repassando R$ 67 mil aos dois hospitais, o que não foi suficiente. Por isso, a Cismepar enviou, há cerca de duas semanas, uma solicitação ao Conselho Municipal de Saúde de Londrina para que assuma o repasse deste valor.
‘‘Nós levamos em conta que 80% do atendimento feito nestes hospitais é de pessoas que moram em Londrina. Estamos aguardando uma resposta do Conselho, e se a proposta não for aceita, teremos que readequar os serviços às verbas que temos’’, explicou o presidente do Cismepar. Uma alternativa seria acabar com os plantões diários nos prontos-socorros.
O secretário de Saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian, afirmou que a proposta ainda deverá ser analisada pelo Conselho Municipal de Saúde, mas a princípio acha que será difícil o município assumir uma responsabilidade que é do governo estadual. ‘‘Normalmente, o caminho é o inverso: o Estado é que deve ajudar os municípios.’
De qualquer maneira, Bedrossian lembra que, caso a proposta do Cismepar fosse aceita, os outros municípios também teriam que dar a sua parte, proporcionalmente ao uso que fazem dos serviços prestados pelos hospitais.

mockup