Curitiba

Arquivo FolhaRecuoIngo Hubert, presidente da Copel: ‘‘Desejo participar-lhe que o Paraná não pretende erigir usina termoelétrica na região do Projeto Ambiental do KfW’’A Copel - Companhia Paranaense de Energia já descartou o projeto da construção de uma usina termoelétrica a carvão no Litoral paranaense. Um documento assinado pelo presidente da empresa, Ingo Henrique Hubert, e enviado ao banco estatal alemão KfW (Kreditanstalt fur Wiederaufbau) comprova que a companhia desistiu de levar adiante o projeto de instalar uma termoelétrica no litoral.
‘‘Desejo participar-lhe que o Estado do Paraná não pretende erigir uma usina termoelétrica naregião do Projeto Ambiental do KfW’’, diz o texto assinado por Hubert. A região do projeto ambiental do KfW inclui os municípios de Paranaguá e Pontal do Paraná - que poderiam abrigar a termoelétrica, de acordo com o projeto da Copel.
O banco KfW é responsável pela doação de US$ 13 milhões para o programa Pró-Atlântica - Proteção da Floresta Atlântica, coordenado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
A diretoria do KfW tomou conhecimento do projeto da termoelétrica e, temendo a possibilidade de riscos ambientais na região, pediu um esclarecimento do governo do Estado sobre o assunto. A resposta foi enviada por fax à Alemanha, em papel timbrado da Copel, dia 11 de setembro. Uma cópia do documento foi distribuída ontem à imprensa pela organização não-governamental Fórum Verde Pró-Conservação da Natureza do Paraná.
O programa financiado pelo KfW preserva e recupera áreas de floresta atlântica. A área de abrangência inclui 15 municípios paranaenses - Adrianópolis, Antonina, Bocaiúva do Sul, Campina Grande do Sul, Guaraqueçaba, Guaratuba, Matinhos, Morretes, Paranaguá, Pontal do Paraná, Piraquara, Quatro Barras, São José dos Pinhais, Tijucas do Sul e Tunas do Paraná. O projeto envolve a Serra do Mar, Litoral e Vale do Ribeira.
Segundo o coordenador geral do Pró-Atlântica, Valmir Detzel, o próprio governo alemão irá proibir o funcionamento de usinas termoelétricas a carvão no país em 1998 ou 1999. ‘‘As usinas terão que substituir o combustível ou fechar as portas, em função dos danos ambientais, como as chuvas ácidas’’, informou ele.
O presidente da Copel está em viagem aos Estados Unidos e não foi localizado pela reportagem da Folha para comentar sobre a desistência do projeto da termoelétrica. A assessoria da empresa informou que somente o presidente poderia falar sobre o assunto. Atualmente, técnicos estão fazendo estudos de viabilidade econômica e ambiental sobre a termoelétrica. O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) deve ser divulgado em novembro.
Cartilha - Ontem, o Fórum Verde lançou uma cartilha contra o projeto de construção da termoelétrica. Em linguagem acessível, a cartilha fornece dados técnicos e informações sobre os problemas ambientais e de saúde que poderiam ser causados pela queima do carvão na termoelétrica (como a emissão de cinco toneladas de cinzas por dia na atmosfera). O informativo será distribuído principalmente a estudantes do 2º grau em Curitiba e no litoral.

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