A prova de baliza e o teste de legislação de trânsito continuam temidos por quem vai tirar a primeira carteira de motorista. Mas a grande dificuldade mesmo da primeira habilitação tem sido o preço. Em Londrina, desde o início do ano, quando os valores foram reajustados em cerca de 15%, o preço médio cobrado pelas auto-escolas é de R$ 460,00, para uma categoria (carro ou moto), e R$ 660 para duas.
O valor inclui as 30 aulas teóricas sobre legislação de trânsito, direção defensiva e primeiros socorros, exigidas pelo Detran; as 15 aulas práticas; os exames de vista e psicotécnico; e o aluguel do carro para o exame prático. Quando o aluno reprova em algum exame, novas taxas são cobradas - cerca de R$ 40,00 para a prova de legislação e psicotécnico, e R$ 80,00 para o exame prático. E se forem necessárias mais aulas práticas que as 15 exigidas, para cada uma é pago cerca de R$ 30,00. Todo o processo leva de dois a três meses para ser concluído.
Com 19 anos, o estudante Yghor Schell teve que esperar para tirar a habilitação. E o motivo foi mesmo o preço, já que, por ele, teria iniciado o processo logo depois de ter completado 18 anos. ''Meu pai deu uma 'enroladinha' e só agora é que deu para fazer'', brinca o jovem. Já a mãe, Maria Matilde Schell, se assustou com o valor: ''O preço antigo já era abusivo e o duro é que você não tem opção, procuramos várias escolas, mas o preço é o mesmo. Mas tem que fazer, né...''.
Sobre o ''alto preço'', proprietários de auto-escolas se defendem e justificam o valor cobrado citando o preço da gasolina, o custo de manutenção do carro, gasto dos pneus, aluguel do imóvel, uso de computador e internet, além das taxas do Detran, ''que sobem todo ano'', como argumentos. ''Em outros Estados é mais caro. Em Santa Catarina, por exemplo, só a habilitação de carro custa R$ 1 mil'', afirma a gerente da auto-escola Carol, Edna Maria Polo Sanches. ''É um documento necessário e é para a vida toda. Se você pesar o custo-benefício não é tão caro'', argumenta Sílvia Regina Del Ciel, proprietária da auto-escola Igapó. No início de 2005, as taxas do Detran tiveram reajuste de 7%.
''Não existe uma tabela, os preços ficam próximos porque os custos são parecidos e as taxas do Detran idênticas'', justifica Maria Aparecida Fudolli, diretora de ensino do Centro de Formação de Condutores Paraná Ltda. Ela ressalta que quem está desempregado e busca a habilitação como forma de ''melhorar o currículo'' tem dificuldade para pagar, mas que ''sempre dá um jeito, faz um sacrifício''. ''Se parcelar o valor, não é tão exorbitante'', afirma.
''É um valor caro, também acho, pois quem precisa do documento normalmente é o assalariado, que tem um emprego em vista, e acaba fazendo 'na marra'. Mas a gente também tem que ganhar um pouquinho'', afirma Ocivaldo Leôncio, proprietário da auto-escola Acadêmica I. Segundo ele, o parcelamento é uma alternativa para o aluno conseguir o documento. ''Os juros giram em torno de 2,5% ao mês''.

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