Documentação ainda é problema
Curitiba - Ivone (nome fictício), paranaense de 25 anos, procurou a redação da FOLHA para reclamar que, depois da cirurgia de mudança de sexo, o desafio é enfrentar a burocracia para alterar a documentação com a retificação civil. Há um ano ela luta para adequar sua documentação. Ela reclama que enfrenta um ''moroso processo nos tribunais''.
Ivone reclama que esse processo ''bloqueia muitos dos direitos como cidadão, como votar, comprar com cartão de crédito ou simplesmente ir ao médico, sem que passe pelo constrangimento de apresentar seus documentos que não representam mais sua condição física''.
Na opinião dela, seria necessário uma legislação específica ''o mais urgente possível, para que as pessoas que se submetam a esse tratamento e a essa cirurgia tenham, de fato, uma vida normal'', diz.
O caso de Ivone não é isolado. O Grupo Esperança, uma ONG de Curitiba que presta atendimento psicológico e jurídico a transexuais, confirma que o processo para mudar a documentação é lento. Liza Minelly, presidente do Grupo Esperança, explica que não ná lei específica para esses casos e portanto é necessário entrar com o pedido na Justiça. ''A análise depende de cada juiz e será feita com base em laudos médicos'', conta. De acordo com ela, o ideal é que haja acompanhamento psicológico e de endocrinologistas dois anos antes e dois anos depois da cirurgia de mudança de sexo.





