Doces anjos ou azedos demônios?
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segunda-feira, 27 de abril de 1998
Guilherme Pupo 
Sogra: Mãe do marido, em relação à mulher, ou mãe da mulher, em relação ao marido. O Aurélio não entra em detalhes, mas ela é um dos personagens mais odiados e amados nas histórias de família. No seu dia, comemorado hoje, muitos preferem cumprimentá-la à distância, enquanto outros a convidam para jantar e a cobrem de presentes e elogios. Afinal, qual é o segredo para um bom relacionamento entre genros e noras e suas respectivas sogras, e qual a origem desse ódio mortal alimentado pelos laços familiares?
Para o psicólogo Gustavo Strobel, o melhor conselho para pacientes com sogras problemáticas é procurar ser compreensivo. Muitas vezes, não vale a pena entrar em conflito. É melhor ceder em alguns pontos para ganhar em outros, sugere.
Ele observa que, na maior parte dos casos, os problemas de relacionamento ocorrem pela diferença de idade e de gerações entre a sogra e os genros e noras. É uma tendência do ser humano ficar cada vez mais rígido e inflexível no seu comportamento, e as pessoas mais jovens precisam considerar esse estado de maturação nos relacionamentos familiares, explica.
Marcelo AlmeidaMarcelo: Sogra não presta, só enche o saco e pega no pé.
Mães das minhas namoradas nunca foram com minha cara
O eletricista Celso Ferreira de Gouvêa, de 30 anos, conseguiu conquistar a amizade de sua sogra com muita persistência e respeito. No começo, ela jogava até pedra. Hoje, depois de dez anos de casamento, meus sogros são meus segundos pais, observa ele. Hoje, minha mãe se dá melhor com ele do que comigo, comenta a mulher de Celso, Francinete Simões, 25 anos.
Já a pensionista Deolinda Battine Carreira, de 58 anos, não tem boas lembranças de sua já falecida sogra. Era uma portuguesa daquelas bem brabas. Se o meu marido me desse um vestido, ela também queria ganhar um. Ela não aceitou perder o seu filho, conta. Para ela, o segredo para ser uma boa sogra é o diálogo. Como sofri muito com a minha sogra, aprendi e procurei não fazer o mesmo com meus dois genros, disse.
Mesmo entre os solteiros, o estereótipo da sogra tem duas faces opostas. Sogra não presta, só enche o saco e pega no pé. As mães das minhas namoradas nunca foram com a minha cara, queixa-se o estudante Marcelo Primo de Menezes, de 19 anos.
Já a estudante Caroline Mateus Nu¤ez, de 21 anos, tem a sogra como uma amiga. Em três anos e seis meses de relacionamento, ela nunca teve ciúmes do filho e nunca se intrometeu na minha vida, jura.


