Apesar da expectativa de que a greve poderia ser encerrada, a assembléia dos professores da UEL realizada ontem de manhã decidiu, por unanimidade, pela permanência da paralisação. Na última assembléia, realizada na terça-feira, foi apresentada proposta de dar uma trégua ao Governo até o próximo dia 18, quando recomeçam as atividades na Assembléia Legislativa.
Outra decisão foi a aprovação de um abaixo-assinado pedindo a convocação do Conselho Universitário para tentar revogar os atos executivos assinados pelo reitor da UEL, Pedro Gordan.
As assembléias realizadas ontem também repassaram às categorias o resultado da reunião do comando estadual de greve, que aconteceu na quinta-feira à noite, quando foi discutida a proposta do Governo de repassar um percentual do ICMS às universidades.
Segundo o presidente do Sindipro, o professor César Caggiano, há um concenso de que não dá para esperar três ou quatro meses para que os recursos comecem a chegar, como pretende o governo. ‘‘De março de 97 para cá tivemos perdas que chegam a R$ 90 milhões. Não dá para esperar mais. Além disso, os professores afirmam que a proposta do governo, por enquanto, é muito vaga. ‘‘Não podemos trabalhar sem uma proposta concreta.’’
Para o representante do Sindicato dos Professores e Servidores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Sinteoeste), Luiz Fernando reis, a ‘‘proposta é um engodo e uma enganação’’, já que a autonomia das universidades é um direito garantido pela Constituição Federal. Reis afirmou que os grevistas querem a retomada das discussões acerca da proposta apresentada em dezembro: 50,03% de reajuste e a restruturação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).
Segundo ele, o valor nominal repassado pelo Estado pode até ter quintuplicado como prega o Governo - que hoje estaria em R$ 352 milhões -, mas percentualmente, o repasse diminuiu. Conforme Reis, o percentual caiu de 6,91%, em 1994, para 6,83% em 2001. Enquanto isso, o número de cursos oferecidos pelas universidades estaduais subiu de 155, em 94, para 243 em 2001.
Uma das decisões da reunião do comando foi programar uma grande manifestação em frente à Assembléia Legislativa, em Curitiba, no próximo dia 19. Esta foi a data limite apresentada pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, para apresentar o projeto de lei que prevê o repasse de parte do ICMS às universidades.
Na segunda-feira, os servidores participam de nova assembléia, pela manhã, na UEL. Já os funcionários do HU/HC se reunirão às 13 horas, no anfiteatro do HU. Ontem pela manhã, os servidores do HU aprovaram uma moção de repúdio à direção do hospital.

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