Docentes aprendem língua indígena
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de junho de 1998
Guilherme Pupo 
As línguas guarani e caigangue ainda sobrevivem nas comunidades indígenas do Paraná, apesar da grande influência da língua portuguesa no dia-a-dia das tribos. Para o fortalecimento da língua materna e a compreensão do ensino da língua portuguesa, cerca de 70 índios que atuam como professores nas comunidades indígenas do Estado estão participando nesta semana de um seminário em Curitiba.
O objetivo é incentivar a educação bilíngue entre os índios e adotar um currículo intercultural nas escolas indígenas, abordando questões como a terra e a religiosidade, explica Valdice Wagner Pacheco, técnica da equipe de Ensino Fundamental da Secretaria Estadual de Educação, que promove o evento.
Segundo ela, muitas comunidades sentem vergonha de utilizar a língua nativa e acabam contribuindo para a deterioração da cultura indígena. Com o treinamento dos professores, pretendemos incentivar a escola e a comunidade a utilizar a sua língua materna, tanto na forma oral como escrita, observa.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Educação, atualmente há 1950 crianças indígenas que frequentam 26 escolas indígenas, de 1ª a 4ª série, em 17 municípios do Estado. Além das crianças, há cerca de 250 jovens e adultos frequentando escolas no Paraná, em um convênio entre a secretaria e a organização não-governamental Apearte.
No seminário realizado em Curitiba, os professores estão elaborando um jornal bilíngue, para aprender a utilizar a língua como instrumento de comunicação - tanto para relatar notícias como para contar a história dos povos indígenas.


