Dobra número de homicídios em Londrina
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sábado, 25 de janeiro de 2003
Renê Muller<br> Reportagem Local 
O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial de Londrina (10 SDP), Jorge Barbosa, 51 anos, começou sua carreira na Polícia Civil na cidade, como investigador, no dia 3 de janeiro de 1973. Natural de Siqueira Campos (90 km ao sul de Jacarezinho), aqui ele casou, teve filhos e netos. De investigador, passou a escrivão e, há oito anos, tornou-se delegado. Por isso mesmo, ele também se preocupa com a violência vivenciada na cidade no último ano, e que começou com tudo em 2003. Foram 17 assassinatos confirmados oficialmente até o dia 23 de janeiro, contra nove ocorridos no mesmo período em 2002. O aumento é de praticamente 100%; mesmo não estando aí incluídas duas mortes de causa ainda imprecisa. (Ver tabela nesta página)
O problema já mereceu extenso espaço nos jornais ano passado e, ao que parece, voltará a merecê-lo agora. ''Londrina não era uma cidade tão grande, e havia mais condições de trabalho'', diz Barbosa relembrando tempos antigos. Hoje, londrinenses estão se matando. O delegado comenta que a maior parte dos crimes ocorridos neste mês foi acerto de contas, provocado por diversos motivos. O principal são as drogas. ''É uma briga entre eles. Já tem gente que matou e morreu em 2003: 90% das vítimas já tinham antecedentes criminais e a grande maioria estava envolvida com tráfico e consumo de drogas'', afirma.
Na categoria ''vítimas e algozes'', estaria o adolescente Adriano Chagas do Nascimento, 17 anos. Ele foi morto com vários tiros pela Rone (grupo especial da Polícia Militar), quando tentava se esconder em um barracão na Avenida Brasília (perímetro urbano da BR-369), nos fundos da Vila Marízia (região central de Londrina), pouco após ter participado de um assalto na zona oeste. Segundo Barbosa, Adriano, também conhecido como ''Japonês'', era extremamente violento, e, segundo depoimento de testemunhas, seria um dos três executores de Leandro Ribeiro Pereira, 17 anos, a terceira vítima de homicídio do ano. Ele foi executado no Jardim Sabará no dia 6, e tinha antecedentes por roubo e drogas.
O delegado diz que, mesmo vitimando jovens com antecedentes criminais, as execuções precisam ser investigadas com agilidade. Os pedidos de prisão preventiva serão um procedimento padrão a partir de agora. Segundo o delegado, o procedimento facilita a resolução do caso, não permitindo que os principais suspeitos iniciais acabem desaparecendo rapidamente após o começo dos trabalhos da Polícia Civil. ''Nosso dever é investigar e encontrar os assassinos. A investigação nem sempre é rápida, mas precisa ser iniciada imediatamente, quando o crime ainda é quente'', frisa Barbosa.
Ele garante que pelo menos dois crimes já foram solucionados. O assassino do cobrador de ônibus Jeferson Vieira, 36 anos, a primeira vítima de 2002, já apresentou-se à polícia. Vieira foi assassinado no Jardim Franciscato (zona sul) com um tiro. Outro crime, o assassinato de Evandro Rafael Ventura, 19 anos, morto com quatro tiros em um bar da Avenida Saul Elkind (zona norte), também foi resolvido. O delegado diz que a maior parte dos outros assassinatos do mês já está em fase de elucidação. ''Vamos conseguir solucionar 80 ou 90% deles'', garante.


