Às vésperas de iniciar a exportação para o Japão, o maior criador de cães da raça Doberman, no Brasil, atualmente, mantém sua criação em Curitiba. Um dos seis criadores da espécie no país, Luiz Fernando Ribas Silva, já comercializou seus cães para países como o Canadá, o Perú, a Argentina e o Uruguai e, em junho, deverá estar enviando mais um ‘‘exemplar’’ para outro grande criador, só que japonês.
‘‘Nos últimos dois anos’’, conta Luiz, ‘‘eu e minha esposa vencemos no ranking da Confederação Brasileira de Cinofilia, como os melhores da raça doberman no país. O que não representa necessariamente quantidade de cães criados, mas sim qualidade’’.
O criador explica que, por ano, chega a tirar apenas de uma a duas ninhadas. Ninhadas que têm entre os pais, o vencedor Charleston Yankee, capaz de garantir qualidade a qualquer um dos filhotes vendidos não só para o exterior, como também para o Brasil.
‘‘Esse criador japonês ligou para cá interessado no Yankee’’, explica Luiz. ‘‘Chegou a falar em 40 mil dólares. Só que ele é um cachorro que não tem preço, pelo que já investimos em cima dele. É um vencedor de mais de 5 exposições no exterior’’.
Ao todo já estão espalhados pelo mundo, mais de 20 dobermans, comercializados nos últimos dez anos. O que não significa que a raça seja tão popular como há 20 anos. Segundo Luiz, o ‘‘boom’’ do doberman no Brasil aconteceu na década de 80, quando quase todo mundo queria ter um animal da raça. ‘‘Hoje, eles não chegam aos 20 % dos cães registrados pela confederação’’, lamenta-se. ‘‘Enquanto nascem 30 mil rotweillers por ano no país, os dobermans não chegam aos 1 mil’’.
O que, segundo o especialista, não chega a ser tão ruim assim. Ele explica que justamente por causa da pequena reprodução fica muito mais fácil de se manter a qualidade e o selecionamento da raça, fazendo com que sejam criados apenas animais de qualidade. ‘‘É o caso dos animais da minha criação’’, acrescenta ele. ‘‘Eles já conquistaram títulos de campeões em mais de dez países diferentes. E toda a pessoa chegada à cinofilia quer ter um animal como estes em sua criação’’.
Chegando a custar o equivalente a 1,5 mil dólares, os filhotes de doberman do canil Charleston são procurados principalmente por quem deseja um animal limpo, dócil e, ao mesmo tempo, bom de guarda. Características que o criador enfatiza combatendo antigos mitos sobre a raça. ‘‘A gente pode atribuir a eles todas as características que costumam falar, só que ao contrário. Muitos dizem que ele é um cachorro desequilibrado, o que não é verdade. E sobre o cérebro maior do que a cabeça, isso não passa de ignorância. O próprio padrão de criação da raça diz que o cão tem que ser totalmente perfeito’’, conclui.Mauro FrassonLuiz Ribas recebeu uma oferta de R$ 40 mil pelo cão Yankee: ‘‘este cachorro não tem preço’’Vivian de Albuquerque

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