Quando o paciente perde a função renal, as únicas alternativas são o tratamento de hemodiálise ou diálise peritonial ou o transplante de órgãos. "Nem todos os pacientes que fazem diálise têm indicação para transplante. Depende da idade, da pessoa e de algumas complicações de saúde. Pacientes com doença cardíaca ou pulmonar severa não podem se submeter ao procedimento", explica o médico nefrologista Abel Esteves Soares.

No Brasil, a maioria das doações de rins é feita por doadores vivos, ao contrário do que acontece nos países europeus e nos Estados Unidos. Esse tipo de doação não traz riscos para quem doa ou para quem recebe, mas sempre é melhor poupar uma pessoa saudável de fazer um procedimento cirúrgico. Mas ainda falta conhecimento sobre transplante de órgãos e a recusa familiar é alta. Segundo dados da Secretaria Estadual de Transplantes, das 98 notificações feitas em janeiro deste ano, 20 não se converteram em doações por recusa familiar. Em Londrina, foram 20 notificações e em sete delas houve recusa.

"Não é culpa da população. Infelizmente, ainda falta conhecimento. A gente precisa explicar para a população o que é a doação de morte encefálica. É preciso esclarecer que quando o cérebro para de funcionar é questão de tempo para a pessoa efetivamente morrer. E é nesse momento que a coordenação intra hospitalar de captação de órgãos vai conversar com os familiares sobre a doação. Então, seria preferível que todos nós pensássemos junto com os familiares a respeito da doação, para não colocar essa carga de decisão para um familiar em uma hora de muita dificuldade", afirmou o nefrologista. "É importante também que as pessoas exponham à família a vontade de serem doadoras." Atualmente, a fila de transplante renal em Londrina tem 202 pacientes ativos, sendo 123 homens e 79 mulheres. (S.S.)

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